sexta-feira, junho 01, 2007

Cinema

Três, de fato, é demais!!!


Graças aos super-poderes de Sam Raimi, o aranha consegue se salvar...

Há 30 Star Wars inaugurava uma nova era na história do cinema. Muito mais que os efeitos especiais que marcaram época, a saga de George Lucas mudou a forma com que os executivos planejavam seus filmes. Se uma história é boa ou grande demais para ficar restrita a um único filme, o melhor a fazer é transformá-la em uma trilogia.

Embora a semente tenha sido plantada na década de setenta, o formato consolidou-se de fato no início do novo milênio, por meio de trilogias como Matrix, O Senhor dos Anéis e às adaptadas dos quadrinhos. Atores e diretores passaram a assinar contratos para três longas e, para enxugar os gastos, algumas trilogias tinham dois ou até três espisódios gravados simultaneamente. Tais projetos são em geral grandes produções, blockbusters que quase sempre estouram nas bilheterias.

O ano de 2007 veio para coroar de vez o formato. O capítulo final de três das mais rentáveis trilogias da história do cinema aportaram de uma só vez no verão americano, com intervalos de parcas semanas para garantir que o hype em torno de uma produção não roubasse algumas dezenas de milhões de dólares da outra. Homem-aranha 3, Piratas do Caribe: No fim do mundo e Shrek Terceiro são os grandes lançamentos de um ano que já ficou marcado pela alcunha de “ano dos três”.

Em comum, todos conseguiram as piores críticas dentro de suas respectivas trilogias. Homem-Aranha 3 foi o menos “malhado” pelos especialistas, com justiça. Embora a terceira aventura do aracnídeo nas telonas seja inferior as antecessoras, HA3 não deixa de ser um bom filme. Muitos reclamaram da grande profusão de vilões que povoam a trama e a superficialidade com que estes foram desenvolvidos. Tenho de confessar que concordo com a simplicidade com que Sam Raimi conduz o roteiro. Ele não perde tempo tentando explicar o inexplicável (ou alguém acha que existe embasamento científico qualquer que torne crível um homem se transformara em areia viva?). A simplicidade das origens de Venom e do Homem-Areia contribuem para que o diretor desenvolva melhor a personalidade de Peter Parker e seus relacionamentos com Mary Jane e Harry Osborn, que inclusive ganham profundidade. Não podemos esquecer que Peter é o verdadeiro protagonista da história, embora o título teime em nos dizer o contrário.


"Alguém aqui sabe o que está acontecendo?"

Piratas do Caribe segue o caminho inverso e parece servir como atestado para a escolha de Sam Raimi. O terceiro capítulo da aventura bucaneira é muito mais complexo do que deveria (leia-se: confuso). Com uma reviravolta a cada 30 segundos, o longa em nenhum momento parece possuir um fio-condutor, mesmo o mais simples possível. Contribuem para estragar a festa a falta de carisma de Orlando Bloon, que compartilha o defeito com praticamente todo elenco, a exceção de Keira Knightley e Geoffrey Rush, como Elizabeth Swann e Capitão Barbosa respectivamente. Nem mesmo o excelente Johnny Deep consegue se salvar aqui. Se o intérprete de Jack Sparrow carregava os filmes anteriores nas costas, nesse ele perde seu característico charme de malandro para dar lugar a um excêntrico e hiperbólico palhaço. Suas artimanhas são executadas de forma gratuita, com um fim nelas mesmas. No primeiro longa Sparrow aprontava para se dar bem. Agora, ele não passa de uma alegoria para crianças.

Apenas Shrek Terceiro não estreou em terras tupiniquins, mas este carrega o estigma de ter recebido as piores críticas entre os três. Não parece injusto. O trailer da produção não consegue despertar um riso sequer e ainda apresenta piadas constrangedoras de tão ruins.

Apesar das críticas negativas, todos os filmes obtiveram excelentes aberturas nos EUA. Homem-aranha 3 inclusive conseguiu quebrar o recorde de melhor fim de semana de estréia. É uma pena que iremos lembrar o “ano dos três” muito mais pelas cifras históricas do que pela qualidade dos filmes em questão.


Não basta estar bem vestido para agradar.

2 comentários:

Tiago Silva Resende disse...

Ótima crítica, e bastente perspicaz o comentário sobre o ano do 3! Bem, quanto ao que eu tenho para dizer, é que esses filmes fizeram o que vieram fazer: dar retorno financeiro para as produtoras. Não acredito que tenham alguma outra ambição além disso. Se eu gostei ou não? Bem, Homem Aranha nunca fui fã, e o que amigos próximos disseram que o filme deveria se chamar Spider-Emo, perdi completamente a vontade de ver o filme. Shrek, a mesma coisa. Filme para se ver na sessão da tarde, quando não tiver mais nada para fazer. Já Piratas do Caribe, confesso que fiquei fã do primeiro, decepcionado com o segundo, e esperançoso (ainda não o vi) com o terceiro. Além disso, nada de mais! Abraços!

Renato Pena disse...

Não consegui ver Shrek até o meio. Vejo video game, onde todo mundo vê cinema, em Spider-man (e vejo que vc também detectou as fraquezas dessa peça). E a trilogia do pirada só funciona pelos dois terços iniciais do primeiro filme.
Gostei da sua volta e da edição desse texto, com as trilogias, em destaque.
Até