domingo, outubro 12, 2008

Televisão

Bom para dormir

Você não tem a sensação de que já viu isso antes em algum lugar?

Toda vez que me deparo com uma análise dos índices de audiência das principais redes de TV do país, fico impressionado com a hipocrisia e o preconceito que permeiam tais documentos. Para os executivos da TV, é melhor que a culpa sempre recaia no colo do telespectador. Afinal de contas, para eles o povo brasileiro não passa de uma massa de descerebrados incultos, seres incapazes de apreciar as “maravilhas” proporcionadas pelos gênios de nossa telinha.

Tudo bem, o “povão” realmente dá crédito a dezenas de porcarias – o funk carioca está aí para comprovar – mas achar que as pessoas deixam de assistir à novela das seis para curtirem o reprisado Pica-pau porque são burras é varrer a sujeira para debaixo do tapete. A televisão aberta brasileira é um lixo e a queda dos índices de audiência apenas prova que parte da população já constatou esse fato.

Quantos de vocês já não se pegaram, com o grato auxílio do controle remoto, dando voltas e mais voltas pelo dial à procura de algo minimamente decente para assistir? Pois é, eu faço isso o tempo todo, e a cada vez que completo uma volta, fico mais impressionado com a falta de evolução de nossa TV. Falta investimento, e não me refiro apenas ao financeiro, mas ao intelectual, principalmente. Novos talentos, gente com vontade de mostrar serviço, de quebrar paradigmas, que traga um pouco da linguagem do cinema, da web, ou de qualquer coisa que não se limite a repetir fórmulas saturadas há décadas.


Dá para fazer bons programas e conquistar grande audiência.

E não é difícil provar o quanto um pouco de sangue novo faz bem à programação. No meio de meia dúzia de anciões cativos, João Emanuel Carneiro é o único jovem autor que conseguiu emplacar uma novela das oito, A Favorita, que certamente é a melhor produção do horário em pelo menos dez anos. O Profissão Repórter é disparado o melhor jornalístico global, sendo provavelmente o único que não adota como máxima editorial criticar o governo. Por sua vez, o CQC exala todo o frescor e irreverência que faltavam ao humorismo nacional – e ao jornalismo também. Vê-los em ação é muito melhor do que assistir a um Casseta & Planeta, que, ao contrário do que muitos pensam, já havia batido as botas muito antes que o Bussunda.

E também não adianta botar a culpa na Internet ou no bode expiatório que seja. A TV americana, a despeito da crise, vive seu ápice, em parte com a ajuda da grande rede. Algo que só foi possível porque alguns executivos tiveram coragem para apostar em formatos inovadores. Lost, My name is Earl, Pushing Daisies e até a chatinha Heroes, em nada, ou muito pouco, se parecem com séries antigas. Ao contrário das novelas das seis, verdadeiras sessões de interminável deja vu de época. E se a Record almeja mesmo o primeiro lugar, está na hora de repensar a estratégia para tanto. Copiar a Globo pode até funcionar em curto e médio prazo, mas não parece algo muito inteligente quando é visível e documentada a queda da audiência da emissora do “plim-plim”. Resta torcer para que a TV digital represente alguma mudança. Quem sabe com a terceirização de parte da produção? Ou quem sabe com o crescimento de redes locais? Até lá, prefiro permanecer em frente à tela do computador...

4 comentários:

Tiago Silva Resende disse...

AuhIAUhIAHU... poisé... faz cinco anos que não vejo TV aberta. Para ser justo, assistia (ou esperava para assistir) Corujão na Globo quando eu fazia facul e não tinha internet. Sempre na esperança que no horário mais descompromissado com audiência, poderia ver algo que realmente prestasse. Funcionou... 20% das vezes. À maioria delas, tempo perdido. Nem mesmo no horário em que as emissoras poderiam colocar algo de algum valor estético/cultural/in telectual eles faziam isso. Chegavam à usar séries divertidíssimas como Angel, Spin City e Oliver Bean como tapa buracos, mas não assumia o compromisso nem a responsabilidade junto aos telespectadores. Outras, já totalmente desvalorizadas no horário nobre, vendiam os horários corujas para os pastores e "bispos" venderem suas orações. A tv aberta hoje só é companheira na hora do almoço, quando não resta nada além de sentar, comer e tentar capturar alguma conversa de bar entre o sangue e a politicagem dos jornalísticos do horário. Minha TV, meus livros, minhas músicas, hoje, todos, não passam de arquivos digitais. Um monte de zeros e uns que me ajudam à estudar, passar o tempo, divertir, e criticar. Adoro criticar AuhIAuhiAhIAUh

Tiago Silva Resende disse...

E fazendo uma crítica a mim mesmo, tem alguns erros de português aí em cima que o sono não me permitiu observar anteriormente.

Glayce Santos disse...

Assim, somos almas gêmes ou estou enganada? hahahhahhaha

VC foi perfeito em todas as palavras, tim tim por tim tim!

Isso!!! Era tudo o que eu precisava ler, ouvir... Já que não conseguiria escrever tão bem!

Tá complicado demais...Nossa tv não está boa das pernas.

CQC? Faz jus ao slogan: Humor inteligente!!!! CAceta e Planeta??? Porcaria em cima de porcaria!!! A favorita??? Sim, é boa! É diferente, é criativa!

Ufa, agora não fico mais com a consciencia pesada por ser viciada na Warner Channel! rs
Adoro Pushing Daisies! Mas tb, friends e Two and a Half Men (clássico, mas perfeito), Aliens in America, The Big Bang Theory entre tantos outros!

Parabéns pelo texto!

Escreve muito bem, faz críticas maravilhosas...poderia divulgar mais o blog! Vc tem um puta potencial...

Beijosssss

Glayce Santos disse...

Moço, oi!
Então, minha teoria eu não tenho...rs
Não parei pra pensar nisso, na verdade, mas pensarei!

24 tb??????? Ohhhhh, essa idade para vcs homens é muito importante! rs

que bobeira!

beijinhos