
Responda rápido: você exercitou muito a criatividade com Lego?
O colega Rafael Tirolo lançou um projeto interessante. Uma corrente que se propõe a discutir o conceito de criatividade, de onde surgem as ideias originais e se elas são de fato originais, ou meras reproduções do que sempre deu as caras por aí, mas não fora notado com a devida atenção. O projeto conta com quinze pessoas e funciona da seguinte forma: há um texto inicial que incita o debate e, a partir daí, a corrente segue em frente com cada autor dabdo sua contribuição após ser todos os textos anteriores, até que o ciclo se feche e uma nova rodada tenha início. Vale tudo, desde comentar o que acabou de ler até propor uma discussão totalmente nova.
O processo está bastante interessante, já tendo originado excelente metáfora sobre o processo criativo e brincadeiras com Lego. Reproduzo abaixo minha contribuição:
Nunca fiz um teste de QI, embora, quando fosse bem garotinho, todos me aconselhassem fazê-lo. Diziam que eu era inteligente demais, “menino-prodígio”, e tinham certeza de que meu resultado iria equivaler-se apenas aos coeficientes de gênios notáveis, os quais eu já deveria adotar como parâmetro pessoal.
Tamanha expectativa deixa qualquer criança do alto de seus oito anos com medo. E se meu teste revelasse que eu era apenas um garoto comum no meio de tantos? Ou pior: e se eu estivesse abaixo da média? Isso implicaria um futuro medíocre pela frente?
Nunca cheguei a recusar fazer o teste, mas sempre pensei em como seria o inevitável momento em que tivesse um pela frente. Seria a hora da verdade, pois, contra os números, nada poderia fazer. Por anos tentei prever perguntas e exercícios que nunca foram feitos.
Pouco tempo atrás, li na revista Superinteressante que o coeficiente não é um dado invariável na vida de uma pessoa, sofrendo alterações de acordo com o grau de atividade cerebral ao qual a pessoa está habituada em dado momento. Ou seja: nada mais do que um “retrato” momentâneo da capacidade mental de alguém.
Acredito piamente que a criatividade funcione de maneira parecida. Mais do que uma dádiva, um estado de espírito. Para ser criativo, primeiramente é necessário estar disposto a tanto. Referencial é absolutamente necessário, mas a própria busca deste exige atitude pró-ativa. Acredito que o fato ou objeto absolutamente novo, livre de qualquer referencial pretérito, não seja algo inteligível. Pelo contrário. Moldamos nosso conhecimento por associações, verificando graus de repetição. O próprio método científico não é nada mais do que a verificação de padrões que possam comprovar uma tese, esta nascida da observação daqueles.
Assim, o processo criativo nada mais é do que a habilidade de associar conhecimento pré-existente de modo novo. Inconsciente ou não, é algo que demanda esforço, podendo ser exercitado ao longo do tempo. Assim, dedicação é a palavra chave.
É claro que haverá gradações no nível de criatividade entre as pessoas. Alguns se limitarão a criar utilizando-se de referenciais e de regras pré-estabelecidas, produzindo conteúdo formulado de acordo com parâmetros facilmente reconhecíveis, podendo, desta forma, ser criticados por agir como meros copiadores. Outros estabelecerão suas próprias regras de como combinar o conhecimento adquirido ao longo do aprendizado. Esses serão vistos como revolucionários, e a tendência é que seus métodos passem a ser copiados por outras pessoas, em um incessante ciclo de inovação-padronização.
Ser um “criador” ou “copiador” dependerá do grau de esforço pessoal durante o processo criativo.
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