
Dessa forma, é fácil entender porque 007: Quantum of Solace gerava tanta expectativa. Pela primeira James Bond teria um filme que representa uma seqüência direta e imediata aos fatos vistos no anterior. E agora sob a batuta de Marc Foster, notoriamente reconhecido por filmes sensíveis e de conteúdo, como Em busca da terra do nunca e Mais estranho que a ficção. Assim, esperava-se uma evolução natural do personagem em mais um grande filme. Porém, o que vemos, se não é um passo atrás, trata-se de um momento dispensável na trajetória do espião inglês.
Em linhas gerais, 007: Quantum of Solace não rompe com as mudanças estabelecidas em seu antecessor. Bond mantém a postura “pró-ativa”, recorrendo usualmente à força bruta, e o vilão da vez – Mathiu Almaric, em grande atuação – novamente possui um plano concebível no mundo real. O problema é que o filme se concentra quase todo em cenas de ação, às vezes de forma gratuita, obrigando o telespectador a fazer cogitações sobre as amarras que faltam ao enredo complicado e mal-estruturado. Bond vai ao encalço dos responsáveis pela morte de Vesper Lynd e se depara com uma organização secreta com ramificações em todo o mundo. Certamente dará material para novos filmes.
Kurylenko é Bond em versão com mais curvas. Até a pose é a mesma!
E como falamos de 007, não podemos nos esquecer das Bond Girls. Li recentemente que a crítica desaprovou a falta de sexo (!?) neste novo longa. De fato, pouco tempo é gasto em conquistas amorosas, e a principal personagem feminina da trama, interpretada por Olga Kurylenko (exuberante!), sequer vai para a cama com o agente secreto. Essa tarefa é reservada a também linda Gemma Aterton, em papel minúsculo. Vale destacar que mais uma vez as Bond Girls são retratadas como mulheres modernas e independentes, tanto que a personagem de Kurylenko ganha até mesmo uma subtrama paralela. Para esta, talvez o rótulo de Bond Girl nem seja o mais apropriado. Melhor seria Female Bond (Bond versão feminina).
A seqüência de abertura é das mais decepcionantes. A música de Jack White e Alicia Keys até consegue empolgar, o problema é a animação! Coisa de amador! O que fica pior quando nos lembramos da sensacional abertura de Cassino Royale.
007: Quantum of Solace não chega a ser um filme ruim. Sem dúvida está muito à frente de qualquer exemplar das eras Pierce Brosnan e Roger Moore. O problema é que Cassino Royale merecia um sucessor à altura. Tomara que aconteça em um próximo capítulo.