
Como toda a lista do tipo, são inúmeras as ausências sentidas entre os eleitos pela Folha. Ao meu ver, é nítido que a seleção da atual década é aquela que cometeu o maior número de injustiças, seguida de perto pela dos anos 90. Acredito que o significado disso possa ser explicado pelo menor espaço de tempo para discutir, absorver e entender a importância de determinada obra para o meio cinematográfico. Independentemente desses deslizes, vamos a lista, uma excelente desculpa para motivar um pouco as discussões aí nos comentários.
Considero difícil opinar sobre o período compreendido entre 1958 e 1969 (para coincidir com o aniversário do jornal, a enquete foi esticada em dois anos). Dos filmes listados, assisti apenas a Se meu apartamento falasse, do gênio Billy Wilder, o que explica e legitima meu voto. Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, lidera entre os internautas. Não deve ser sem razão, afinal, muita gente já escreveu que esta pode ser considerada a única obra-prima do Cinema Novo, um movimento que possui “zilhões” de defensores.

"Are you voting in me?"
Na lista da década seguinte a coisa fica bem mais simples, pois assisti à maioria dos filmes relacionados. A liderança é de O poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, com vantagem razoável para Laranja mecânica, de Stanley Kubrick. Gosto muito de ambos, mas meu voto seria para Táxi Driver, de Martin Scorcese, por ser igualmente brilhante e ter uma poderosa crítica ao comportamento da época implícita em sua história.
Chegamos à década de 80, onde assisti à metade dos filmes relacionados. Quem lidera é Blade Runner, a primorosa ficção científica dirigida por Ridley Scott. Confesso estar inclinado a aumentar a vantagem de Scott, mas como ele concorre com o espetacular Touro indomável, mais um de Martin Scorcese, acabo roubando e voto duas vezes.

Há algumas barbadas...
Na década de 90 nenhuma dúvida. É Pulp Fiction na cabeça, tanto no voto como na preferência dos votantes. Os imperdoáveis, do bom e velho Clint Eastwood, é o maior rival do longa de Quentin Tarantino. Tudo sobre minha mãe, de Pedro Almodóvar, merece estar na lista, assim com A liberdade é azul, de Krzysztof Kielowsky. Mas O jogador não é o melhor Altman, Central do Brasil só tem real significância para nós, “brazucas”, e Titanic eu nem pretendo comentar. Onde ficou Clube da luta?
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... e também as inevitáveis injustiças.
E, enfim, chegamos à década atual. E que lista é essa? Edifício Master, de Eduardo Coutinho, é, sim, um primor, mas melhor filme da década? Vá lá! Paranoid park, de Gus Van Sant, é mais representativo e interessante do que Elefante, do mesmo diretor. Volver é um bom filme, mas é apenas mais do mesmo em se tratando de Almodóvar. A vila é um momento menor do cada vez pior Shyamalan. O senhor dos anéis, do gente boa Peter Jackson, desponta como líder, embora deva ser o menos relevante de toda a lista - exceção feita a A vila. Dos que já assisti, salvam-se Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, Cidade dos sonhos, do maluco David Lynch e O segredo de Brokeback Mountain, do "poeta" Ang Lee. Resta saber o porquê de ausências como as de Réquiem para um sonho, Darren Aronofsky; dos recentes Sangue negro, Paul Thomas Anderson, e Onde os fracos não têm vez; irmãos Coen, de Menina de ouro, obra prima de Clint Eastwood; e de algum filme da nova safra indie americana,
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