
Ministro Joaquim Barbosa, um GRANDE brasileiro!

Quem frequenta este blog há algum tempo já percebeu que sempre arrumo um espacinho para resenhar adaptações de quadrinhos. O motivo é simples: bem antes de me interessar seriamente por cinema, era ávido leitor de HQ’s. E como todo bom fanboy (vá lá, perdoem-me, qual adolescente não foi um?), tinha o meu próprio roteirista herói, o ídolo supremo, o cara no qual me espelharia quando crescesse. O nome da figura? Frank Miller.

Sempre me impressiona o fato de Clint Eastwood conseguir emendar bons lançamentos em espaços tão curtos de tempo. Como aos melhores vinhos, a idade tem feito bem ao velho caubói. Seus últimos filmes conseguem sempre figurar entre os melhores lançamentos do ano e, o mais impressionante, entre os melhores da carreira do próprio. Porém, o mais instigante nessa história toda – pelo menos para mim – é o fato de Eastwood conseguir nos surpreender mesmo sendo extremamente redundante em suas obras. Gran Torino, novo longa do diretor, talvez seja o melhor exemplo disso.

Wacthmen, a HQ, é uma obra especial para mim. Tanto que passei os últimos três dias queimando neurônios no afã de encontrar a melhor forma de começar esta resenha sobre Watchmen – O filme. Caso tivesse embarcado na empreitada instantes depois da sessão, iniciaria atacando o diretor Zack Snyder, por omitir algumas das partes que mais gostava no quadrinho. No dia seguinte, sábado, já tendo esfriado um pouco a cabeça, adotaria um tom mais ameno: o de decepção, pois filme não representará para o cinema aquilo que representa para os quadrinhos. Na segunda-feira, com tudo melhor digerido e após muita reflexão, enalteceria a coragem de Snyder em adaptar para a telona um texto tão complexo e de pouco apelo comercial. E de forma bastante fidedigna.



O sucesso Quem quer ser um milionário? se deve:
a) à perfeita noção de timing de Danny Boyle e da Fox Searchlight, que apostaram em um filme de temática otimista prevendo a atual crise mundial e o desejo de mudança que ecoaria nos EUA e se expandiria pelo globo;
b) à percepção de que a cultura indiana estava prestes a “bombar” no ocidente, a ponto de servir como pano de fundo para a novela das oito global;
c) à abordagem semi-documental da vida das favelas, aos moldes de Cidade de Deus, já devidamente consagrada pela crítica; com direito a uma pasteurização na crueza e ao “bom, velho e compreensível” idioma de Shakespeare;
d) ao destino.
Ok. Admito que forcei um pouco a barra para iniciar minha crítica sobre Quem quer ser um milionário?. O filme não é só isso, possuindo, sim, qualidades. Mas, embora o clichê “Filme certo, na hora exata” soe um tanto reducionista, não há definição melhor para explicar o sucesso desse longa. Quem quer ser um milionário? obteve vitórias esmagadoras na maioria das premiações da temporada, inclusive no Oscar, onde levou 8 estatuetas. Também foi bem recebido pela grande maioria da crítica (94% de aprovação no Rotten Tomatoes!), mas de forma alguma se trata do clássico que alguns tentam pintar. É certo que o sucesso o colocará nos anais da história, mas é bem possível que no futuro as pessoas se lembrem dele muito mais pelo papel de divisor de águas, colocando Hollywood em direção a histórias mais otimistas que as vistas nos últimos anos, permeados por filmes sombrios. Mudança que não necessariamente significará melhores filmes, pois estes são bons ou ruins, sendo otimistas ou não.


O lugar comum em que caem boa parte das críticas sobre O lutador soa como campanha contra a eventual vitória de Mickey Rourke na cerimônia do Oscar. Posto que é impossível negar que o ator esteja perfeito no novo filme de Darren Aronofsky, os detratores trataram de adotar uma tática diferente: relativizar. Para esses, a atuação de Rourke nem mesmo assim deveria ser classificada. O ator não estaria sequer representando um personagem, mas tão somente sendo ele mesmo.
Ora, como se conseguir mostrar-se de forma transparente diante das câmeras já não fosse um esforço soberbo de interpretação (que o diga Eduardo Coutinho!). Quem nunca se intimidou diante das câmeras? Quem nunca posou como alguém diferente, tentando se passar por uma figura mais interessante? Quem se comporta de maneira absolutamente idêntica em todos os círculos de convivência social? Pois bem, estamos sempre encenando o nosso próprio “papel” de forma diferente. Somos a soma dos personagens que criamos para nós mesmos. Como condenar Rourke por sua autenticidade e perfeita unidade no papel do wrestler Randy “the Ram”?
As trajetórias de ator e personagem são, de fato, parecidas. Ambos estiveram no auge de suas carreiras no final dos anos 80, mas na década seguinte, por circunstâncias diferentes, acabaram condenados ao limbo do esquecimento. Passaram anos lutando em pequenas arenas – Rourke largou os pequenos papéis para se dedicar a uma carreira no boxe, o que fermenta ainda mais as comparações. Agora, tentam se auto-afirmarem e reconstituírem a parte da vida que ficou perdida durante os anos mais amargos.
Se é mais fácil interpretar a si mesmo em frente às câmeras, não sei dizer. Talvez a resposta varie caso a caso. E aí reside minha bronca com quem tenta diminuir o trabalho de Rourke. Boa parte das opiniões parecem carregadas com certo preconceito. Dois pesos, duas medidas.
Rourke não pertence ao primeiro escalão (ainda). Passou anos no ostracismo e teve poucos papéis que realmente mereçam elogios. É fácil criticá-lo. O mesmo não acontece com Jack Nicholson, por exemplo. Sua caracterização do Coringa para Batman sempre foi coberta de elogios. “Apagou até o Batman!”, dizem os mais exaltados. Porém, uma olhadinha mais cuidadosa nas entrevistas de Nicholson, no comportamento deste longe das câmeras ou em documentários em cujo ator seja objeto de observação nos mostra uma figura bem parecida com a vista no filme de Tim Burton. Mas como criticar Nicholson, um verdadeiro “monstro” do cinema, quase uma unanimidade? Ou talvez seja eu que esteja sendo chato, incapaz de perceber que a maquiagem carregada seja capaz de tornar certos comportamentos tão distintos de outros.






Os mais atentos já devem ter reparado que, no perfil aí à direira, me defino como um "pretenso cineasta nas horas vagas". Pois bem, já está na hora de mostrar o porquê de tal rótulo! Script! tem o orgulho de apresentar a primeira parte de Samukountry, produção totalmente trash em sua concepção, filmada em 2004, que dá continuidade à história de Samukay. Peço desculpas por não disponibilizar Samukay primeiramente, mas o fato é que não possuo uma cópia digital do filme. Espero em breve poder publicá-la, fechando o ciclo. Mas que ninguém se preocupe com a continuidade. Tarantino já provou que uma história não precisa ser contada em sua ordem cronológica. E Samukountry, logo em seu início, está equipado com um resumo dos fatos ocorridos em Samukay. Sem mais delongas:
Postem suas impressões! Espero amadurecer ao me ver no papel de "vidraça".
PS: Ao término do vídeo estão relacionadas (links) a segunda e terceira partes.
Melhores do ano - Parte 2
Começo de ano, passam-se as festas, fica a ressaca, e com ela as memórias dos grandes filmes vistos em 2008. De janeiro a dezembro do ano passado, pudemos assistir a aventuras de super-heróis, dramas familiares, faroestes clássicos ou releituras modernas, ficções científicas e romances de todo o tipo. Uma variedade que naturalmente se estende à lista de melhores filmes do ano do Script!. A lista resume-se a filmes lançados e vistos por este blogueiro no ano passado. Boas pedidas enquanto a avalanche de filmes do Oscar não chega por aqui!
10º Lugar – Os indomáveis
Os indomáveis é uma revisão do cineasta James Magold para o clássico Galante e sanguinário, de 1957. Fã do texto original, Magold não se atreveu a mudar os rumos do roteiro, mas contou com uma produção caprichada e um elenco afiadíssimo, em especial Ben Foster, que só não consegue ofuscar as atuações das feras Russel Crowe e Christian Bale porque eles também estão magníficos.
9º Lugar – A família Savage
Todo ano o cinema independente americano nos apresenta belas histórias de famílias disfuncionais. E todo ano nos rendemos a elas. O segredo está na sensibilidade que roteiristas como Tamara Jenkins (também diretora) conferem a estas histórias, que muitas vezes carregam experiências pessoais de seus realizadores para dentro da telona. Junte isso à sensibilidade de um elenco capitaneado por uma soberba Laura Linney e um sempre perfeito Philip Seymour Hoffman e você faz de A família Savage um retrato dessa tragicomédia chamada vida.
8º Lugar – Homem de Ferro
O primeiro blockbuster de 2008 surpreendeu em dois aspectos: primeiro, a história do super-herói da vez tinha conteúdo, usando como pano de fundo a ganância belicista da indústria de armas americana; segundo, Robert Downey Jr. em uma interpretação quase sobrenatural para o milionário Tony Stark. Difícil foi vê-lo em outras produções ou programas de TV e crer que, de fato, Downey Jr. não é o Homem de Ferro.
7º Lugar – Persépolis
O ano passado consolidou o filão de adaptações de quadrinhos como um gênero amplo, que não se resume aos filmes de super-heróis. Há espaço para relatos autobiográficos como o de Marjani Sartrapi, quadrinhista iraniana que migrou para a França fugindo da opressão da Revolução Islâmica. Persépolis é um ótimo drama pessoal, somado a um conteúdo histórico pouco conhecido aqui no Brasil.
6º Lugar – Sangue negro
Para adaptar o épico livro Oil!, de Upton Sinclair, Paul Thomas Anderson teve de abdicar totalmente de seu estilo pessoal. Saem os mosaicos narrativos inspirados em Robert Altman, entra a figura de um personagem central, que domina o filme quase unicamente. O melhor de tudo é que este personagem ganha a interpretação de Daniel Day Lewis, na melhor atuação do ano. Direção precisa, atuações memoráveis e uma trilha sonora que martela o cérebro. Sangue negro é cinema clássico, espécie rara nos dias atuais.
5º Lugar – Vicky Cristina Barcelona
Após uma temporada com saldo positivo em Londres, Woody Allen migrou para a ensolarada Barcelona e, ao que parece, o ar catalão fez bem ao diretor. Vicky Cristina Barcelona é a comédia que Allen há tanto tempo devia aos seus fãs. Nela, o amor é desconstruído em uma análise sobre nossa vã tentativa de idealizar nossos relacionamentos. Se hoje em dia as mudanças são o catalisador criativo de Allen, que ele venha logo ao Rio de Janeiro!
4º Lugar – Juno
Mais uma vez o cinema indie americano. Outra família disfuncional. E mais uma história apaixonante. Aliás, como não se apaixonar por Juno MacGuff, a jovem interpretada por Ellen Page que exala personalidade e tem uma resposta afiada para qualquer questão? Méritos para o roteiro primoroso da promessa Diablo Cody e para a direção precisa de Jason Reitman, que transformaram a gravidez de Juno no conto de fadas (ou melhor, na antítese deste!) do ano!
3º Lugar – WALL-e
Pode um filme mesclar em torno de si o melhor do cinema mudo, das ficções científicas a lá Blade runner e a magia das antigas animações Disney? WALL-e mostra que, sim, é possível, e foi além: fez uma das mais precisas críticas ao consumismo atual sendo um produto para consumo das massas! WALL-e é a prova de que os limites narrativos do cinema ainda não foram transpostos, e que a Pixar não irá descansar até atingi-los.
2º Lugar – Batman: O cavaleiro das trevas
A maior bilheteria. O filme mais comentado. A atuação mais celebrada. Não faltam recordes ou superlativos para a última aventura do Homem-morcego. Christopher Nolan retomou as diretrizes iniciadas em Batman: Begins e elevou o conteúdo a um patamar nunca dantes visto em um filme de super-heróis. O cavaleiro das trevas alça o gênero ao patamar de obra de arte pela primeira vez, e Heath Ledger a de uma das maiores e mais prematuras perdas do cinema.

1º Lugar – Onde os fracos não têm vez
Lembro-me de que na saída da sessão de Onde os fracos não têm vez, muita gente reclamava de que o filme não possuía final. A constatação é verdadeira, porém, totalmente injusta. Poucos filmes conseguem ser tão concisos quanto este “faroeste” moderno dos irmãos Coen, e a omissão de uma conclusão clássica está perfeita no contexto. Os Coen realizaram um tratado sobre a maldade humana, aquela inata, incompreensível e cada vez mais presente nos dia-a-dia atual.
Um feliz 2009 para todos e bons filmes!!!
Melhores do Ano - Parte 1
Último dia do ano, época mais que propícia para rememorar os destaques de 2008. E um blog chamado Script!, que se propõe a falar sobre cinema, não pode se omitir de listar os melhores momentos da sétima arte neste moribundo ano.
Começo destacando os talentos responsáveis pela qualidade do que assistimos. Atores, atrizes e diretores que tiveram um brilho especial e ofuscaram seus pares por onde andaram.
Melhor Ator
Daniel Day Lewis (Sangue negro)
Uma escolha um tanto óbvia, visto que Day Lewis já abocanhou o Oscar e o Globo de Ouro por sua performance em Sangue negro. Prêmios pra lá de merecidos. Lewis simplesmente materializou toda a ganância e falta de escrúpulos do American Way of Life em seu Daniel Plainview, magnata do petróleo que é capaz de tudo para garantir o lucro dos negócios. Embora Plainview seja uma figura detestável, que remete até mesmo a Geroge W. Bush, a composição de Lewis é perfeita ao ponto de enchergarmos humanidade na figura do prospector.
1 – Daniel Day Lewis (Sangue negro); 2 – Robert Downey Jr. (Homem de ferro); 3 – Viggo Mortensen (Senhores do crime); 4 – Josh Brolin (Onde os fracos não têm vez); 5 – Jean Claude Van-Damme (J.C.V.D).
Melhor Atriz
Laura Linney (A família Savage)
Depois de assistir a A família Savage fui tomado por um sentimento misto de curiosidade e preocupação: como continuaria a vida de Wendy Savage após as viradas do final do filme? Ora, preocupar-se com a trajetória de um personagem que nem ao menos existe é sinal de que nutrimos toda uma empatia por aquele. E como não gostar de Wendy, uma personagem tão complexa que parece existir fora das telas? Mérito da soberba interpretação de Laura Linney, que constrói em apenas duas horas uma personalidade real, com todas as nuances que deixam as pessoas tão imprevisíveis e interessantes.
1 – Laura Linney (A família Savage); 2 – Ellen Page (Juno); 3 – Carice Von Houten (A espiã); 4 – Julianne Moore (Ensaio sobre a cegueira); 5 – Letícia Sabatella (Romance).
Melhor Ator Coadjuvante
Heath Ledger (Batman: O cavaleiro das trevas)
Se existe uma premiação aguardada para o próximo Oscar, ela é a de ator coadjuvante. Isto porque Heath Ledger realizou um dos trabalhos mais perfeitos já vistos na tela grande. O ator personificou o Coringa em uma versão ainda mais aterradora que a dos quadrinhos, em uma atuação que servirá como modelo para construção de vilões para todo o sempre. Mas quis o destino que Ledger não vivesse para conquistar os louros pela performance. Como premiá-lo sem que isso soe piegas? Sempre existirão aqueles que questionarão a imparcialidade da homenagem póstuma. Uma injustiça, que só pode ser corrigida assistindo-se mais uma vez a Batman: O cavaleiro das trevas.
1 – Heath Ledger (Batman: O cavaleiro das trevas); 2 – Javier Barden (Onde os fracos não têm vez); 3 – Ben Foster (Os indomáveis); 4 – Paul Dano (Sangue negro); 5 – Tom Cruise (Trovão tropical).

Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
Penélope Cruz é famosa por suas recorrentes parceirias com o diretor Pedro Almodóvar, de quem sempre ganha papéis expressivos. Provavelmente foram estes papéis que chamaram a atenção de Woody Allen, que deu à atriz a personagem Maria Helena, que parece saída de um filme de Almodóvar. O bom disso tudo é que Penélope pode pisar em um terreno rasoavelmente conhecido, ma sem nunca se repetir. A atriz rouba Vicky Cristina Barcelona para si toda vez que entra em cena, mesmo formando um triângulo amoroso com gente da estirpe de Javier Barden e Scarlett Johansson.
1 – Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona); 2 – Tilda Swinton (Conduta de risco); 3 – Saoirse Ronan (Desejo e reparação); 4 – Maggie Gyllenhaal (Batman: O cavaleiro das trevas); 5 – Natalie Portman (Um beijo roubado).
Melhor Diretor
Andrew Stanton (WALL-e)
Difícil encontrar hoje um estúdio que dê tanta liberdade criativa e apoio aos seus realizadores quanto a Pixar. Nesta, são artistas, e não executivos engravatados, quem planejam os filmes. Com tanta liberdade e com um time de primeira para tocar os projetos, é até natural que ela emplaque o melhor diretor para Script! pela segunda vez consecutiva. Andrew Stanton realizou WALL-e de forma primorosa, sem se render a nenhuma convenção mercadológica. WALL-e é puro cinema de autor, dialoga, simultaneamente, com clássicos do cinema mudo e da ficção científica, possui personagens encantadores e ainda por cima consegue tecer uma profunda crítica contra o consumismo dos dias atuais. Algo assim só é possível quando tocado por mãos talentosas como as de Stanton.
1 – Andrew Stanton (WALL-e); 2 – Christopher Nolan (Batman: O cavaleiro das trevas); 3 – Irmãos Coen (Onde os fracos não têm vez); 4 – Paul Thomas Anderson (Sangue Negro); 5 – Jason Reitman (Juno).