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terça-feira, fevereiro 03, 2009

Cinema

Auto-plágio?

Faz quase dez anos que assisti a Forrest Gump pela última vez. Mesmo assim, era impossível não perceber que O curioso caso de Benjamin Button guarda grandes semelhanças com o longa supracitado – ambos foram roteirizados por Eric Roth –, principalmente no campo estrutural, no desenvolvimento dramático. Mas como julguei que os filmes falam sobre temas diferentes, relevei, ao ponto de defender Roth e David Fincher da acusação de "plágio" que alguns blogueiros amigos fizeram. Pois bem, ainda considero O curioso caso de Benjamin Button um bom filme. Continuo achando que os dois filmes despertam sentimentos diferentes no espectador. Só que fica difícil argumentar contra um vídeo tão contundente quanto este aí de baixo... Será que o tempo me fez passar batido?


terça-feira, janeiro 20, 2009

Cinema

...oirártnoc oA


Sim garotas, é mesmo Brad Pitt...

Quem nunca parou para pensar em quão bom seria se pudéssemos rejuvenescer com o passar dos anos? Não seria muito mais justo desfrutar do apogeu físico quando já tivéssemos a sabedoria que só os anos bem vividos nos trazem? Nascermos velhos, morrermos jovens... Pois bem, a ideia é recorrente – eu mesmo tenho uma tia que vive dizendo isso –, mas só agora ganha uma produção digna de nota, capitaneada pelo cineasta David Fincher, inspirada em um conto de F. Scott Fritzgerald.

Como bem nos ensina o roteiro de O curioso caso de Benjamin Button, na vida, tudo tem momento certo, o que explica a demora em abordar o tema. Fazer um filme como este há alguns anos seria impossível ou, no mínimo, exigiria um esforço descomunal de dublês e maquiadores (embora estes últimos ainda tenham sido exigidos ao máximo). O desenvolvimento da tecnologia de modelos digitais, largamente utilizada na indústria dos games, somada à técnica de captura de performance, que deu vida a criaturas como Gollun e filmes como A lenda de Beowulf, foi o que possibilitou que Fincher filmasse a fábula de forma convincente.

Benjamin Button (Brad Pitt, quase irreconhecível em alguns momentos, em atuação afiadíssima) nasce em Nova Orleans, no ano de 1918. Sua mãe, prestes a morrer em decorrência do parto, clama ao pai da criança para que o filho não seja abandonado. O pedido é prontamente atendido, mas a promessa é desfeita assim que ele vê a criança. O bebê é deixado em um asilo, onde médicos constatam que ele sofre de envelhecimento precoce, devendo ter pouco tempo de vida. O diagnóstico pessimista não desencoraja Queenie (Tajari P. Henson) enfermeira do asilo, a adotar a criança.


Benajmin é a prova cabal de que não é a aparência externa que nos define

Benjamin passa então a crescer cercado de idosos, o que lhe dá uma perspectiva peculiar da realidade. À primeira vista, ele sente estar entre iguais, mas basta ver crianças brincando do lado de fora para que ele se de conta de que algo está errado, de que é diferente. Se até mesmo Benjamin fica confuso com a própria condição, como explicar para um mundo governado pelas aparências que aquele corpo velho é a morada de uma inocente criança?

Os pré-julgamentos motivados pela aparência tornam-se os motores da trama. A condição única de Benjamin o impede de ter relacionamentos convencionais, confere um ritmo totalmente distinto a vida do personagem e o coloca deslocado em relação ao restante do mundo, drama parecido com o do protagonista de Forrest Gump. Uma das poucas pessoas que consegue enxergar o verdadeiro Benjamin por trás de rugas e cabelos grisalhos é Daisy (Cate Blanchet, sempre ótima) garota pela qual ele imediatamente se apaixona.


Com vidas em direções opostas, é preciso esperar o momento de amar

A direção de Fincher é primorosa em todos os sentidos. Em um primeiro momento, saltam aos olhos as impressionantes transformações de Pitt e Blanchet, mas a fotografia magistral de Caudio Miranda e a montagem precisa que intercala as memórias dos protagonistas também se destacam. O grande destaque da fita, porém, está na reflexão levantada pelo roteiro de Eric Roth: ao nos darmos conta de que Benjamin precisa esperar pacientemente os momentos exatos para dar vazão aos próprios sonhos, nos damos conta de como desperdiçamos as oportunidades da vida em prol de futilidades.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Epifania

Mea culpa



“Epifania – súbita sensação de realização ou compreensão da essência ou do significado de algo. O termo é usado nos sentidos filosófico e literal para indicar que alguém "encontrou a última peça do quebra-cabeça e agora consegue ver a imagem completa do problema.”


A definição, retirada do Wikipedia, traduz perfeitamente o sentimento que me acometeu após ter assistido a Clube da luta. Que fique claro: já amava o cinema, assistia a diversos filmes e até brincava de ser diretor no quintal de minha casa. Entretanto, foi aquele o momento em que percebi que a sétima arte passaria a preencher minha vida de um modo diferente. É preciso, portanto, esclarecer que David Fincher me tornou um cinéfilo! Sabendo disso, o leitor terá melhores condições de criticar qualquer parcialidade cometida por este blogueiro na vindoura análise de O curioso caso de Benjamin Button.