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quinta-feira, janeiro 29, 2009

Cinema

Por que tão sério?


Só mesmo o Coringa para dar uma cara nova ao Oscar...

Um rápido passeio pelos arredores da blogsfera cinéfila mostra que, entra ano, sai ano, o Oscar ainda produz todo um fascínio sobre os aficionados pela sétima arte. Semana passada, o iminente anúncio dos indicados ao Oscar fez pipocar em todos os cantos listas com nomes dos prováveis concorrentes à estatueta dourada. Os índices de acerto foram altos, mas não surpreendentemente. Não é preciso bola de cristal ou ser douto na arte do tarô para saber o que se passa na cabeça da Academia de Hollywood. Esta já provou diversas vezes ser tão previsível quanto uma esquete do Zorra Total.

Daqui a alguns dias começarão a aparecer as listas com os prováveis vencedores. Os cinéfilos aguardam apenas o lançamento de alguns concorrentes em território tupiniquim. Não que isso seja necessário. Prever os vencedores também é tarefa fácil, mesmo sem assistir à metade dos filmes em questão. O que não é problema algum, afinal de contas, a maioria dos votantes também não os assiste...

Também não é difícil visualizar a Academia reclamando sobre os baixos índices de audiência da festa. Vejo-os prometendo uma festa mais “pop” para o próximo ano, como fizeram no ano passado e no anterior. “Aproximar a cerimônia dos jovens”. Seria bom que levassem o plano a cabo. Mas para isso eles precisam entender que sucessos como Batman: O cavaleiro das trevas não podem ser ignorados. Ou alguém de lá acredita que a torcida por O leitor possa ser maior que a do Homem-morcego?

sábado, agosto 09, 2008

Cinema

Jabor vê o Batman


Porque tão sério, Jabor?

Nessa terça feira, li a crônica do jornalista Arnaldo Jabor sobre Batman: O cavaleiro das trevas - http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080805/not_imp217659,0.php. Sempre achei Jabor uma figura superestimada, um cara que cresceu graças à necessidade da grande mídia em criticar governantes e as medidas que a desagradam, de forma indireta. Que fique então claro: nunca gostei de Jabor. Sempre curti o Batman.

Não conheço o trabalho de Jabor como cineasta. Sei que ele é uma importante figura do movimento conhecido como Cinema Novo, e que até ganhou um Urso de Prata por Toda nudez será castigada. Mas confesso que não tenho curiosidade em assistir aos seus filmes. Até hoje não consegui me identificar com o Cinema Novo. Considero aquela linguagem datada, incapaz de dialogar comigo, tanto na questão estético-cinematográfica, como na própria análise do Brasil daqueles tempos. Por isso, acho sempre curioso que a maioria dos representantes daquela fase defendam um retorno do cinema brasileiro para tais raízes.

Não sei se Jabor é um desses defensores saudosistas, que defendem abertamente a volta da estética do cinema novo. Sei somente que, em sua crítica ao Batman, ele tenta desmerecer alguns aspectos do filme apoiado em uma crença de que o cinema atual é pior do que o do passado. Jabor ataca a montagem ágil, os efeitos especiais espetaculares e o excesso de reviravoltas do roteiro escrito por Christopher Nolan e David Goyer, julgando que tais artifícios são sempre usados como “disfarce para a falta de conteúdo”. O colunista chega a dizer que Batman não é “complexo”, mas “emaranhado”, o que faz com que alguns detalhes passem despercebidos e sejam capazes de justificar os louros conseguidos pelo longa junto à parte da crítica.

Sejamos francos: Batman: O cavaleiro das trevas é um filmaço, profundo por analisar a realidade da violência em um formato onde até pouco tempo isso era impensável. Tem momentos capazes de estimular reflexões sociológicas e psicológicas da platéia, mas não chega a ser um tratado de psicologia criminosa. Aliás, justiça seja feita, a crítica dá a entender que Jabor até gostou do filme, mas muito mais pelo retrato que ele pinta da atual sociedade do que por levar a idéia de um homem vestido de morcego a sério.

A questão é que retratar de forma inteligente uma sociedade já é um mérito e tanto para qulquer filme, em qualquer época. Uma edição ágil pode funcionar muito bem para aumentar ainda mais o suspense. Em certos casos o filme pede isso! Assim como efeitos especiais e reviravoltas. Não é o tipo de pincel usado pelo artista que mede a qualidade da pintura. E aí reside meu descontentamento com Jabor. Para gente como ele, intelectuais do passado, nenhuma produção artística futura estará à altura das gerações pregressas. Exceção feita, talvez, àquelas que dialogarem com o passado de forma evidente. E aí temos a receita para o preconceito difundido por um dos colunistas de maior visibilidade do país.

Também não gosto do Jabor jornalista. Este conseguiu notoriedade mais pelo estilo do que pelo conteúdo. E jornalismo é informação acima de tudo! Muita gente gosta porque ele é irônico e fala mal do governo, mas tudo dito ali é tão somente o "mais do mesmo", embrulhado com ironias e tiradas engraçadinhas que, aqui sim, muitas vezes, disfarçam a real falta de conteúdo.



Jabor é daquelas pessoas que não aceitam ver o tempo passar e as coisas mudarem. Fica procurando formas de dizer que os jovens atuais são todos alienados. Recordo-me de uma crônica dele para o Jornal da Globo, sobre a morte do guitarrista Dimebag Darrel (Ex-Pantera). Jabor argumentava que o assassinato de Darrel por um fã era conseqüência da "apologia" que o rock atual faz à violência, caminho oposto ao trilhado pela geração "paz e amor" que revolucionou o mundo, e da qual ele faz parte. Talvez ele tenha esquecido o assassinato de Lennon propositalmente, talvez tenha sido o peso da idade. O fato é que caras como ele sempre buscarão formas de manipular o ponto de vista alheio para fazer crer que ele e sua patota são realmente seres superiores em esclarecimento.

quinta-feira, julho 24, 2008

Cinema

Herói moderno


O cavaleiro das trevas estabelece um novo patamar para filme de heróis.

A certa altura de Batman: O cavaleiro das trevas, o homem-morcego fica frente a frente com seu maior nêmesis, o Coringa, que, olhando diretamente nos olhos do herói, profetiza:

“Você mudou as coisas para sempre. Não há como voltar atrás”.

O vilão não poderia estar mais coberto de razão. Tal análise resume bem a guinada empreendida pelo brilhante cineasta Christopher Nolan no universo cinematográfico do herói. Sob a batuta de Nolan, a nova encarnação do homem-morcego em película estabeleceu novos parâmetros para as narrativas de super-heróis, mas não ficou só nisso: a perspectiva realista dada ao Batman, transformando um homem que se veste de morcego em uma figura crível no mundo real, alterou a própria forma de se enxergar ícones eternos da cultura pop. O recado era claro. Franquias já estabelecidas não precisavam mais ancorar-se em suas fórmulas saturadas. Mudanças eram bem vindas, desde que perpetradas com respeito ao material original. Batman: begins tornou-se um modelo copiado tanto para estreantes em película, como o Homem de ferro, quanto para veteranos como o James Bond da era Daniel Craig.

Em Begins, Nolan não limitou-se a contar a preparação de Bruce Wayne – Christian Bale, a melhor encarnação do herói nos cinemas – para transformar-se no herói, história até então inédita tanto nos cinemas quanto nas HQ’s. Era necessário deixar claro para o público que o novo material não tinha nenhuma conexão com as produções anteriores. Apesar disso, o cineasta ainda sofreu com algumas amarras narrativas impostas por uma desconfiada Warner Bross, ainda ressabiada com os resultados desastrosos dos filmes de Joel Schumacher. Nolan teria carta branca para reiniciar a franquia, mas deveria utilizar vilões que ainda não tinham dado as caras na telona, uma espécie de garantia de que o novo longa era de fato uma história nova. Ra’s Al Ghul e o Espantalho foram o escolhidos.

E se Nolan conseguiu atrair o público e agradar a crítica com vilões quase sem apelo junto ao grande público, o que dizer de uma nova produção onde o Batman teria de enfrentar seu maior inimigo? Só por isso O cavaleiro das trevas tornava-se o filme obrigatório desta temporada. A morte prematura de Heath Ledger só colocou mais lenha na fogueira e atiçou ainda mais a curiosidade em torno da produção, última a ser completada pelo ator. O resultado: 155 milhões de dólares no final de semana de estréia, maior abertura da história do cinema.


Heath Ledger: o Coringa perfeito.

Justo. O novo longa supera o antecessor em quase todos os quesitos. Ciente de que o público aprovara a versão mais realista do Batman, Nolan tratou de elevar o tom adulto para o novo filme, em uma trama policial que há dez anos atrás jamais ganharia protagonistas que vestem máscaras ou usam maquiagem. O cavaleiro das trevas não é um filme para crianças. O Coringa de Heath Ledger – soberbo! – passa longe do concebido por Jack Nicholson. Ele assusta de verdade, mata sem dó, mesmo quando dispõe apenas de um lápis, e tem estômago forte para torturar e ser torturado. Sua visão caótica do mundo dá medo e explica o porquê dos norte-americanos terem ficado paranóicos ante terroristas que não estão atrás de dinheiro e não têm medo de morrer. Como combatê-los?

Batman encontra a resposta em Harvey Dent – Aaron Eckhart, quase tão bom quanto Ledger – novo promotor público que também não tem medo de fazer seu trabalho. Incorruptível, assim como o herói, Dent consegue ser ainda mais nobre, pois não precisa refugiar-se em uma máscara nem agir à margem da lei. Batman passa a enxergá-lo não só como um aliado, mas como um substituto. Alguém capaz de inspirar as pessoas a darem o melhor de si. Juntos, e com a ajuda do tenente Jim Gordon – Gary Oldman, preciso como sempre – e da promotora Rachel Dawes – Maggie Gyllenhal, muito melhor do que Katie Holmes – eles empreendem uma caçada aos mafiosos de Gothan, que contratam o Coringa para dar um fim a essa investida.



Dent, Gordon e Batman unem-se para combater os mafiosos de Gothan.

O plano do “palhaço do crime” é o exato oposto do empreendido por Batman e seus aliados. Enquanto estes querem inspirar o bem nas pessoas, aquele quer provar que ninguém é melhor do que ninguém. Basta uma situação limite para que qualquer um, mesmo o melhor intencionado, mostre o quão podre é. Com as cartas assim dispostas, mais uma vez o Coringa revela sua perfeita capacidade analítica:

“O que acontece quando uma força irresistível encontra um objeto inamovível? Você não me mata por causa de um falso moralismo barato, e eu não mato você porque te acho muito divertido! Estamos condenados a fazer isso para sempre!”

De fato. Estaremos todos mortos e as batalhas travadas entre Batman e Coringa continuarão por anos a fio. Com a diferença de que o toque de Nolan influenciará as novas aventuras para sempre, nos cinemas, HQ’s, games etc. O cavaleiro das trevas é um passo adiante na evolução desta mitologia. Não há como voltar atrás. Pena que Heath Ledger não poderá continuar no jogo...

sexta-feira, julho 18, 2008

Charge

Habeas Corpus-Sinal



Aproveito o lançamento do estupendo Batman: O cavaleiro das trevas (corra para o cinema) para divulgar a ótima charge do cartunista Dálcio Machado. Chega a ser triste perceber o quanto ela representa bem a atual justiça do país...

Para quem quiser conhecer melhor o trabalho do Dálcio, aqui vai o site da fera: http://www.dalcio.com.br/