terça-feira, janeiro 20, 2009

Cinema

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Sim garotas, é mesmo Brad Pitt...

Quem nunca parou para pensar em quão bom seria se pudéssemos rejuvenescer com o passar dos anos? Não seria muito mais justo desfrutar do apogeu físico quando já tivéssemos a sabedoria que só os anos bem vividos nos trazem? Nascermos velhos, morrermos jovens... Pois bem, a ideia é recorrente – eu mesmo tenho uma tia que vive dizendo isso –, mas só agora ganha uma produção digna de nota, capitaneada pelo cineasta David Fincher, inspirada em um conto de F. Scott Fritzgerald.

Como bem nos ensina o roteiro de O curioso caso de Benjamin Button, na vida, tudo tem momento certo, o que explica a demora em abordar o tema. Fazer um filme como este há alguns anos seria impossível ou, no mínimo, exigiria um esforço descomunal de dublês e maquiadores (embora estes últimos ainda tenham sido exigidos ao máximo). O desenvolvimento da tecnologia de modelos digitais, largamente utilizada na indústria dos games, somada à técnica de captura de performance, que deu vida a criaturas como Gollun e filmes como A lenda de Beowulf, foi o que possibilitou que Fincher filmasse a fábula de forma convincente.

Benjamin Button (Brad Pitt, quase irreconhecível em alguns momentos, em atuação afiadíssima) nasce em Nova Orleans, no ano de 1918. Sua mãe, prestes a morrer em decorrência do parto, clama ao pai da criança para que o filho não seja abandonado. O pedido é prontamente atendido, mas a promessa é desfeita assim que ele vê a criança. O bebê é deixado em um asilo, onde médicos constatam que ele sofre de envelhecimento precoce, devendo ter pouco tempo de vida. O diagnóstico pessimista não desencoraja Queenie (Tajari P. Henson) enfermeira do asilo, a adotar a criança.


Benajmin é a prova cabal de que não é a aparência externa que nos define

Benjamin passa então a crescer cercado de idosos, o que lhe dá uma perspectiva peculiar da realidade. À primeira vista, ele sente estar entre iguais, mas basta ver crianças brincando do lado de fora para que ele se de conta de que algo está errado, de que é diferente. Se até mesmo Benjamin fica confuso com a própria condição, como explicar para um mundo governado pelas aparências que aquele corpo velho é a morada de uma inocente criança?

Os pré-julgamentos motivados pela aparência tornam-se os motores da trama. A condição única de Benjamin o impede de ter relacionamentos convencionais, confere um ritmo totalmente distinto a vida do personagem e o coloca deslocado em relação ao restante do mundo, drama parecido com o do protagonista de Forrest Gump. Uma das poucas pessoas que consegue enxergar o verdadeiro Benjamin por trás de rugas e cabelos grisalhos é Daisy (Cate Blanchet, sempre ótima) garota pela qual ele imediatamente se apaixona.


Com vidas em direções opostas, é preciso esperar o momento de amar

A direção de Fincher é primorosa em todos os sentidos. Em um primeiro momento, saltam aos olhos as impressionantes transformações de Pitt e Blanchet, mas a fotografia magistral de Caudio Miranda e a montagem precisa que intercala as memórias dos protagonistas também se destacam. O grande destaque da fita, porém, está na reflexão levantada pelo roteiro de Eric Roth: ao nos darmos conta de que Benjamin precisa esperar pacientemente os momentos exatos para dar vazão aos próprios sonhos, nos damos conta de como desperdiçamos as oportunidades da vida em prol de futilidades.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Epifania

Mea culpa



“Epifania – súbita sensação de realização ou compreensão da essência ou do significado de algo. O termo é usado nos sentidos filosófico e literal para indicar que alguém "encontrou a última peça do quebra-cabeça e agora consegue ver a imagem completa do problema.”


A definição, retirada do Wikipedia, traduz perfeitamente o sentimento que me acometeu após ter assistido a Clube da luta. Que fique claro: já amava o cinema, assistia a diversos filmes e até brincava de ser diretor no quintal de minha casa. Entretanto, foi aquele o momento em que percebi que a sétima arte passaria a preencher minha vida de um modo diferente. É preciso, portanto, esclarecer que David Fincher me tornou um cinéfilo! Sabendo disso, o leitor terá melhores condições de criticar qualquer parcialidade cometida por este blogueiro na vindoura análise de O curioso caso de Benjamin Button.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Meu Cinema

Auto Referência

Os mais atentos já devem ter reparado que, no perfil aí à direira, me defino como um "pretenso cineasta nas horas vagas". Pois bem, já está na hora de mostrar o porquê de tal rótulo! Script! tem o orgulho de apresentar a primeira parte de Samukountry, produção totalmente trash em sua concepção, filmada em 2004, que dá continuidade à história de Samukay. Peço desculpas por não disponibilizar Samukay primeiramente, mas o fato é que não possuo uma cópia digital do filme. Espero em breve poder publicá-la, fechando o ciclo. Mas que ninguém se preocupe com a continuidade. Tarantino já provou que uma história não precisa ser contada em sua ordem cronológica. E Samukountry, logo em seu início, está equipado com um resumo dos fatos ocorridos em Samukay. Sem mais delongas:



Postem suas impressões! Espero amadurecer ao me ver no papel de "vidraça".
PS: Ao término do vídeo estão relacionadas (links) a segunda e terceira partes.

sábado, janeiro 03, 2009

Cinema

Melhores do ano - Parte 2

Começo de ano, passam-se as festas, fica a ressaca, e com ela as memórias dos grandes filmes vistos em 2008. De janeiro a dezembro do ano passado, pudemos assistir a aventuras de super-heróis, dramas familiares, faroestes clássicos ou releituras modernas, ficções científicas e romances de todo o tipo. Uma variedade que naturalmente se estende à lista de melhores filmes do ano do
Script!. A lista resume-se a filmes lançados e vistos por este blogueiro no ano passado. Boas pedidas enquanto a avalanche de filmes do Oscar não chega por aqui!

10º Lugar – Os indomáveis
Os indomáveis é uma revisão do cineasta James Magold para o clássico Galante e sanguinário, de 1957. Fã do texto original, Magold não se atreveu a mudar os rumos do roteiro, mas contou com uma produção caprichada e um elenco afiadíssimo, em especial Ben Foster, que só não consegue ofuscar as atuações das feras Russel Crowe e Christian Bale porque eles também estão magníficos.


9º Lugar – A família Savage
Todo ano o cinema independente americano nos apresenta belas histórias de famílias disfuncionais. E todo ano nos rendemos a elas. O segredo está na sensibilidade que roteiristas como Tamara Jenkins (também diretora) conferem a estas histórias, que muitas vezes carregam experiências pessoais de seus realizadores para dentro da telona. Junte isso à sensibilidade de um elenco capitaneado por uma soberba Laura Linney e um sempre perfeito Philip Seymour Hoffman e você faz de
A família Savage um retrato dessa tragicomédia chamada vida.

8º Lugar – Homem de Ferro
O primeiro
blockbuster de 2008 surpreendeu em dois aspectos: primeiro, a história do super-herói da vez tinha conteúdo, usando como pano de fundo a ganância belicista da indústria de armas americana; segundo, Robert Downey Jr. em uma interpretação quase sobrenatural para o milionário Tony Stark. Difícil foi vê-lo em outras produções ou programas de TV e crer que, de fato, Downey Jr. não é o Homem de Ferro.


7º Lugar – Persépolis
O ano passado consolidou o filão de adaptações de quadrinhos como um gênero amplo, que não se resume aos filmes de super-heróis. Há espaço para relatos autobiográficos como o de Marjani Sartrapi, quadrinhista iraniana que migrou para a França fugindo da opressão da Revolução Islâmica.
Persépolis é um ótimo drama pessoal, somado a um conteúdo histórico pouco conhecido aqui no Brasil.



6º Lugar – Sangue negro
Para adaptar o épico livro
Oil!, de Upton Sinclair, Paul Thomas Anderson teve de abdicar totalmente de seu estilo pessoal. Saem os mosaicos narrativos inspirados em Robert Altman, entra a figura de um personagem central, que domina o filme quase unicamente. O melhor de tudo é que este personagem ganha a interpretação de Daniel Day Lewis, na melhor atuação do ano. Direção precisa, atuações memoráveis e uma trilha sonora que martela o cérebro. Sangue negro é cinema clássico, espécie rara nos dias atuais.

5º Lugar – Vicky Cristina Barcelona
Após uma temporada com saldo positivo em Londres, Woody Allen migrou para a ensolarada Barcelona e, ao que parece, o ar catalão fez bem ao diretor.
Vicky Cristina Barcelona é a comédia que Allen há tanto tempo devia aos seus fãs. Nela, o amor é desconstruído em uma análise sobre nossa vã tentativa de idealizar nossos relacionamentos. Se hoje em dia as mudanças são o catalisador criativo de Allen, que ele venha logo ao Rio de Janeiro!

4º Lugar – Juno
Mais uma vez o cinema
indie americano. Outra família disfuncional. E mais uma história apaixonante. Aliás, como não se apaixonar por Juno MacGuff, a jovem interpretada por Ellen Page que exala personalidade e tem uma resposta afiada para qualquer questão? Méritos para o roteiro primoroso da promessa Diablo Cody e para a direção precisa de Jason Reitman, que transformaram a gravidez de Juno no conto de fadas (ou melhor, na antítese deste!) do ano!

3º Lugar – WALL-e
Pode um filme mesclar em torno de si o melhor do cinema mudo, das ficções científicas a lá
Blade runner e a magia das antigas animações Disney? WALL-e mostra que, sim, é possível, e foi além: fez uma das mais precisas críticas ao consumismo atual sendo um produto para consumo das massas! WALL-e é a prova de que os limites narrativos do cinema ainda não foram transpostos, e que a Pixar não irá descansar até atingi-los.


2º Lugar – Batman: O cavaleiro das trevas
A maior bilheteria. O filme mais comentado. A atuação mais celebrada. Não faltam recordes ou superlativos para a última aventura do Homem-morcego. Christopher Nolan retomou as diretrizes iniciadas em Batman: Begins e elevou o conteúdo a um patamar nunca dantes visto em um filme de super-heróis. O cavaleiro das trevas alça o gênero ao patamar de obra de arte pela primeira vez, e Heath Ledger a de uma das maiores e mais prematuras perdas do cinema.

1º Lugar – Onde os fracos não têm vez
Lembro-me de que na saída da sessão de Onde os fracos não têm vez, muita gente reclamava de que o filme não possuía final. A constatação é verdadeira, porém, totalmente injusta. Poucos filmes conseguem ser tão concisos quanto este “faroeste” moderno dos irmãos Coen, e a omissão de uma conclusão clássica está perfeita no contexto. Os Coen realizaram um tratado sobre a maldade humana, aquela inata, incompreensível e cada vez mais presente nos dia-a-dia atual.

Um feliz 2009 para todos e bons filmes!!!

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Cinema

Melhores do Ano - Parte 1

Último dia do ano, época mais que propícia para rememorar os destaques de 2008. E um blog chamado Script!, que se propõe a falar sobre cinema, não pode se omitir de listar os melhores momentos da sétima arte neste moribundo ano.

Um ano que ficará marcado pela queda de bilheteria e qualidade dos lançamentos nacionais, pela falta de bons lançamentos no segundo semestre (culpa da greve dos roteiristas no começo do ano, lembram?) e pelo sucesso de filmes violentos e sombrios. Aliás, o filme para toda família parece ser uma espécie em extinção, superado pela tendência de segmentação do mercado.

Começo destacando os talentos responsáveis pela qualidade do que assistimos. Atores, atrizes e diretores que tiveram um brilho especial e ofuscaram seus pares por onde andaram.

Melhor Ator

Daniel Day Lewis (Sangue negro)

Uma escolha um tanto óbvia, visto que Day Lewis já abocanhou o Oscar e o Globo de Ouro por sua performance em
Sangue negro. Prêmios pra lá de merecidos. Lewis simplesmente materializou toda a ganância e falta de escrúpulos do American Way of Life em seu Daniel Plainview, magnata do petróleo que é capaz de tudo para garantir o lucro dos negócios. Embora Plainview seja uma figura detestável, que remete até mesmo a Geroge W. Bush, a composição de Lewis é perfeita ao ponto de enchergarmos humanidade na figura do prospector.

1 – Daniel Day Lewis (Sangue negro); 2 – Robert Downey Jr. (Homem de ferro); 3 – Viggo Mortensen (Senhores do crime); 4 – Josh Brolin (Onde os fracos não têm vez); 5 – Jean Claude Van-Damme (J.C.V.D).

Melhor Atriz

Laura Linney (A família Savage)

Depois de assistir a
A família Savage fui tomado por um sentimento misto de curiosidade e preocupação: como continuaria a vida de Wendy Savage após as viradas do final do filme? Ora, preocupar-se com a trajetória de um personagem que nem ao menos existe é sinal de que nutrimos toda uma empatia por aquele. E como não gostar de Wendy, uma personagem tão complexa que parece existir fora das telas? Mérito da soberba interpretação de Laura Linney, que constrói em apenas duas horas uma personalidade real, com todas as nuances que deixam as pessoas tão imprevisíveis e interessantes.

1 – Laura Linney (A família Savage); 2 – Ellen Page (Juno); 3 – Carice Von Houten (A espiã); 4 – Julianne Moore (Ensaio sobre a cegueira); 5 – Letícia Sabatella (Romance).

Melhor Ator Coadjuvante

Heath Ledger (Batman: O cavaleiro das trevas)

Se existe uma premiação aguardada para o próximo Oscar, ela é a de ator coadjuvante. Isto porque Heath Ledger realizou um dos trabalhos mais perfeitos já vistos na tela grande. O ator personificou o Coringa em uma versão ainda mais aterradora que a dos quadrinhos, em uma atuação que servirá como modelo para construção de vilões para todo o sempre. Mas quis o destino que Ledger não vivesse para conquistar os louros pela performance.
Como premiá-lo sem que isso soe piegas? Sempre existirão aqueles que questionarão a imparcialidade da homenagem póstuma. Uma injustiça, que só pode ser corrigida assistindo-se mais uma vez a Batman: O cavaleiro das trevas.

1 – Heath Ledger (Batman: O cavaleiro das trevas); 2 – Javier Barden (Onde os fracos não têm vez); 3 – Ben Foster (Os indomáveis); 4 – Paul Dano (Sangue negro); 5 – Tom Cruise (Trovão tropical).

Melhor Atriz Coadjuvante

Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)

Penélope Cruz é famosa por suas recorrentes parceirias com o diretor Pedro Almodóvar, de quem sempre ganha papéis expressivos. Provavelmente foram estes papéis que chamaram a atenção de Woody Allen, que deu à atriz a personagem Maria Helena, que parece saída de um filme de Almodóvar. O bom disso tudo é que Penélope pode pisar em um terreno rasoavelmente conhecido, ma sem nunca se repetir. A atriz rouba
Vicky Cristina Barcelona para si toda vez que entra em cena, mesmo formando um triângulo amoroso com gente da estirpe de Javier Barden e Scarlett Johansson.

1 – Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona); 2 – Tilda Swinton (Conduta de risco); 3 – Saoirse Ronan (Desejo e reparação); 4 – Maggie Gyllenhaal (Batman: O cavaleiro das trevas); 5 – Natalie Portman (Um beijo roubado).

Melhor Diretor

Andrew Stanton (WALL-e)

Difícil encontrar hoje um estúdio que dê tanta liberdade criativa e apoio aos seus realizadores quanto a Pixar. Nesta, são artistas, e não executivos engravatados, quem planejam os filmes. Com tanta liberdade e com um time de primeira para tocar os projetos, é até natural que ela emplaque o melhor diretor para
Script! pela segunda vez consecutiva. Andrew Stanton realizou WALL-e de forma primorosa, sem se render a nenhuma convenção mercadológica. WALL-e é puro cinema de autor, dialoga, simultaneamente, com clássicos do cinema mudo e da ficção científica, possui personagens encantadores e ainda por cima consegue tecer uma profunda crítica contra o consumismo dos dias atuais. Algo assim só é possível quando tocado por mãos talentosas como as de Stanton.

1 – Andrew Stanton (WALL-e); 2 – Christopher Nolan (Batman: O cavaleiro das trevas); 3 – Irmãos Coen (Onde os fracos não têm vez); 4 – Paul Thomas Anderson (Sangue Negro); 5 – Jason Reitman (Juno).

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Televisão

Adeus ano velho

O tempo passa e não tem jeito: só me dou conta de que mais um ano está acabando quando vejo a propaganda do especial do Roberto Carlos na televisão. Nada mais sintomático para ilustrar a mesmice que anda nossa televisão... Mas ao final do ano sempre é bom dar uma olhadinha para trás e lembrar as coisas boas que vivenciamos. 2008 pode não ter sido um poço de originalidade, mas, justiça seja feita, até que teve bastante coisa legal na telinha...


O ano começava muito bem com a minissérie Queridos Amigos

A começar por Queridos Amigos, minissérie global que aportou em meados de janeiro. O texto traçava um perfeito perfil da geração que combateu a ditadura e depois precisou encontrar o próprio lugar na nova aurora democrática. A grande sacada da autora Maria Adelaide Amaral foi aproveitar as experiências pessoais para criar um texto de apelo universal, mostrando que a amizade é a base de sustentação para qualquer geração. O elenco inspiradíssimo (impossível citar destaques em um todo não perfeito) compensou a avareza da globo, que limitou os recursos da produção, deixando muitas cenas com cara de novela.


Um doce para quem adivinhar o final de Lost!!!

Ainda no início do ano tivemos a quarta temporada de Lost. Os detratores que me perdoam, mas o seriado merece sim todo o oba-oba que tem em torno de si. Depois de quebrarem a cabeça dos fãs com intrincados flashbacks durante as temporadas anteriores, Damon Lindelof e J.J. Abrams deram um drible de mestre e mudaram todas as expectativas ao mostrarem a vida dos personagens após deixarem a ilha. Com o advento dos flashfowards deixamos de nos preocupar se os personagens sairão da ilha para nos concentrarmos no mistério maior: afinal de contas, o que é tudo aquilo. Isso sem mencionar o impactante season finale, provavelmente o melhor na história da TV americana.


Na minha modesta opinião, a melhor de todas as séries!

Falando em TV americana, em 2008 ela trouxe para nós o término da terceira temporada de My name is Earl bem como o início da quarta. Correndo o risco de soar repetitivo, mais uma vez enalteço o trabalho da equipe de roteiristas e do produtor Greg Garcia. Não bastasse terem criado um mote sensacional (karma!) e contarem com alguns dos protagonistas mais hilários já vistos na TV, eles povoaram a série com o melhor time de coadjuvantes que já vi!!! A mitologia que cresce a cada episódio chega a lembrar um pouco Os Simpsons, e seu enorme elenco de coadjuvantes. Isso sem contar o elenco talentosíssimo, em especial Ethan Suplee (Randy), Jaime Pressly (Joy) e Jason Lee (Earl). Difícil acreditar que Hollywood ainda não tenha se tocado do talento desses caras!


Finalmente uma animação que faz jus ao rótulo de "Espetacular"

No campo da animação, destaco o O espetacular Homem-Aranha. Finalmente a Marvel acertou a mão no terreno dos desenhos animados, brindando-nos com uma produção tão boa quanto as da Warner/DC. A fórmula foi pegar aquilo que melhor funcionou em cada versão do personagem (o original dos quadrinhos; a versão Ultimate; o desenho anterior e, é claro, os filmes), misturar tudo e dar uma seqüência lógica para o desenvolvimento de Peter Parker como super-herói. O resultado foi a melhor versão do aranha já feita em qualquer mídia! O design limpo concebido por Sean Galloway somado ao texto preciso faz de O Espetacular Homem-Aranha uma das animações do ano.


E não é que a ginga brazuca chegou até os animês?

Eu disse “uma das”? Pois é. O Aranha não leva a taça sozinho porque neste fim de ano me deparei com uma verdadeira obra prima vinda do Japão. Falo de Michiko to Hatchin, anime que, vejam só, é ambientado na realidade brasileira, tem favelas (fictícias) como cenário e samba e bossa nova como trilha sonora. Michiko é uma criminosa malandra, gente boa, daquelas que só o Brasil produz. Ela quer reencontrar seu grande amor, dado como morto há 11 anos. Pra isso ela seqüestra Hatchin, suposta filha do rapaz, que tem, vejam só, 9 anos e vinha sendo criada como escrava por um padre. Basta uma olhadinha no trailer para ver que a produção é de primeira!!! Recomendadíssimo!


Cansado dos insossos Casseta & Planeta e JN? Ligue no CQC!

Pra terminar, volto a TV brasileira, na qual destaco o humor inteligente do CQC e o refinamento estético de Capitu, de Luiz Fernando Carvalho. Já falei sobre o CQC, mas não custa repetir que o programa é o sopro de vida que faltava ao humor e ao jornalismo (sim!!!) brasileiro. Irreverência somada a uma intransigência positiva, algo pra lá de necessário em um país de escândalos sucessivos. Carvalho é outro que já conquistou elogios do blogueiro, mas com Capitu ele se superou. O casamento da estética teatral do diretor funcionou perfeitamente com o texto de Machado de Assis, e o que vimos foi a melhor homenagem que o autor poderia ganhar no centenário de sua morte. Pena que boa parte do público brasileiro não esteja preparada para apreciar plenamente a beleza de uma obra como esta. Pudera, basta assistir ao restante da programação para constatar como é baixo o parâmetro de nossa televisão...


Que bom seria se todos os programas tivessem o texto de Machado...

terça-feira, dezembro 02, 2008

Cinema

Nuances do amor


Moura e Sabatella: os melhores atores do cenário nacional?

Guel Arraes e Jorge Furtado são verdadeiros heróis do cinema nacional. Guerreiros da resistência, pregam um cinema feito para nosso público, o brasileiro comum, sem apelar para reciclagens de obras televisivas. Mas nem isso os protegeu de críticas contra o estilo “televisivo” que adotaram para suas obras. Uma injustiça, visto que a dupla domina, sim, a linguagem cinematográfica,mas de um jeito bem peculiar, diga-se de passagem. Um estilo próprio, que os diferenciam de primos americanos e europeus, caracterizando uma escola genuinamente brasileira.

Romance, a mais nova empreitada desses desbravadores, traz todos os elementos característicos no trabalho da dupla. Estão lá o bom humor, em diálogos rápidos e inspiradíssimos; a metalinguagem pra lá de recorrente nos roteiros de Furtado e o fascínio de Arraes pelo Nordeste brasileiro. O curioso é que, embora o preserve o estilo, Romance soa como uma reinvenção para a carreira da dupla. O tom mais sério destoa da essência farsesca dos filmes anteriores de Arraes (autor de O auto da compadecida e Lisbela e o prisioneiro) ou mesmo da visão mais caricata do mundo presente nos filmes de Furtado (como em O homem que copiava e Meu tio matou um cara).

Essa transição representa um grande risco para dois cineastas que têm seus nomes sempre relacionados a sucessos de bilheteria (deixemos de lado o fraco desempenho de Saneamento básico de Jorge Furtado). Apesar do título, Romance não é um filme recomendável para fãs de açucaradas comédias românticas. Aqui, o amor é discutido de maneira séria. E não só amor entre um casal, mas também o amor pela arte.

Para tanto, o célebre conto de Tristão e Isolda é transformado no propulsor que faz a trama girar. Pedro (Wagner Moura, mostrando-se dono de um talento monstruosamente versátil) é um diretor de teatro que se apaixona por Ana (Letícia Sabatella, finalmente bem aproveitada na telona) atriz que escolhe para viver Isolda em sua montagem. O diretor dá vida a Tristão, dentro e fora da peça, uma vez que o amor que fisga o casal protagonista se confunde com o dos personagens seculares.


Qual a fronteira entre sentimento e atuação?

Os problemas surgem quando Ana é convidada por Danilo (José Wilker) para estrelar a próxima novela das sete. Ele aceita, pensando em como a exposição na TV ajudará na divulgação da peça, que anda mal das pernas. Mas o novo trabalho traz consigo os empecilhos de uma agenda lotada, que gera os ciúmes de Pedro, para quem não basta a fidelidade ao companheiro. É preciso manter-se fiel ao teatro. Os dois separam-se para só voltarem a se encontrar três anos depois, ao decidirem ambientar o conto de Tristão e Isolda com temática nordestina, para um especial de TV.

Furtado e Arraes são suficientemente hábeis em construir toda a trama em cima do texto de Tristão e Isolda sem que isso lhes impusesse amarras criativas. Um MacGuffin é tão somente um... MacGuffin! Contar mais que isso estragaria um filme que consegue surpreender o espectador a cada reviravolta, mesmo abraçando um gênero cada vez mais marcado pela previsibilidade. Andrea Beltrão, Vladimir Brichta (muito bem), Bruno Garcia e Marco Nanini (sempre bem) completam o ótimo elenco.

Minha única crítica reside na fotografia do longa. Ela não é ruim, mas não explora o potencial da tela grande do cinema, sugerindo um verdadeiro descuido técnico. O excesso de closes de rostos funciona bem no espaço reduzido da televisão. No cinema, serve para alimentar o arsenal de gente que não gosta do cinema nacional pelo simples fato de este ser brasileiro.

PS: Aos frequentadores assíduos dessas mal traçadas linhas, peço descupas pela demora desta atualização. A temporada de provas do final de ano não deu trégua. Espero que dezembro me ajude a compensar esse deslize. Com a ajuda de vocês, é claro!!!

quinta-feira, novembro 13, 2008

Cinema

Consolo na vingança


Craig teve de suar - e sangrar! - para salvar este fraco 007!!

007: Cassino Royale foi uma agradável surpresa ao final de 2006. O novo James Bond, concebido pelo roteirista Paul Haggis e pelo diretor Martin Campbell, rompia com o tom farsesco que ditou a era Pierce Brosnan para abraçar um realismo nu e cru, inspirado em filmes como Batman: Begins e as aventuras do espião Jason Bourne. A receita envolvia ainda uma trama mais madura e verossímil, além de um interesse romântico verdadeiro para o herói, a inesquecível Vesper Lynd de Eva Green. Daniel Craig era a cereja do bolo, compensando o próprio (ligeiro?) desabono estético com a melhor interpretação de um 007 em todos os tempos (desculpe-me Sean Connery, mas você ficou para trás).

Dessa forma, é fácil entender porque 007: Quantum of Solace gerava tanta expectativa. Pela primeira James Bond teria um filme que representa uma seqüência direta e imediata aos fatos vistos no anterior. E agora sob a batuta de Marc Foster, notoriamente reconhecido por filmes sensíveis e de conteúdo, como Em busca da terra do nunca e Mais estranho que a ficção. Assim, esperava-se uma evolução natural do personagem em mais um grande filme. Porém, o que vemos, se não é um passo atrás, trata-se de um momento dispensável na trajetória do espião inglês.

Em linhas gerais, 007: Quantum of Solace não rompe com as mudanças estabelecidas em seu antecessor. Bond mantém a postura “pró-ativa”, recorrendo usualmente à força bruta, e o vilão da vez – Mathiu Almaric, em grande atuação – novamente possui um plano concebível no mundo real. O problema é que o filme se concentra quase todo em cenas de ação, às vezes de forma gratuita, obrigando o telespectador a fazer cogitações sobre as amarras que faltam ao enredo complicado e mal-estruturado. Bond vai ao encalço dos responsáveis pela morte de Vesper Lynd e se depara com uma organização secreta com ramificações em todo o mundo. Certamente dará material para novos filmes.


Kurylenko é Bond em versão com mais curvas. Até a pose é a mesma!

E como falamos de 007, não podemos nos esquecer das Bond Girls. Li recentemente que a crítica desaprovou a falta de sexo (!?) neste novo longa. De fato, pouco tempo é gasto em conquistas amorosas, e a principal personagem feminina da trama, interpretada por Olga Kurylenko (exuberante!), sequer vai para a cama com o agente secreto. Essa tarefa é reservada a também linda Gemma Aterton, em papel minúsculo. Vale destacar que mais uma vez as Bond Girls são retratadas como mulheres modernas e independentes, tanto que a personagem de Kurylenko ganha até mesmo uma subtrama paralela. Para esta, talvez o rótulo de Bond Girl nem seja o mais apropriado. Melhor seria Female Bond (Bond versão feminina).

A seqüência de abertura é das mais decepcionantes. A música de Jack White e Alicia Keys até consegue empolgar, o problema é a animação! Coisa de amador! O que fica pior quando nos lembramos da sensacional abertura de Cassino Royale.

007: Quantum of Solace não chega a ser um filme ruim. Sem dúvida está muito à frente de qualquer exemplar das eras Pierce Brosnan e Roger Moore. O problema é que Cassino Royale merecia um sucessor à altura. Tomara que aconteça em um próximo capítulo.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Cinema

Ensaio sobre o amor


Johansson, figura cada vez mais recorrente nos filmes de Allen, e no blog!

Foram precisos 33 filmes para que Woody Allen percebesse que era hora de se reinventar. O mestre da comédia saiu da amada Nova Iorque e migrou para Londres, onde teria os investimentos que lhe foram negados nos Estados Unidos. A mudança de ares fez bem ao diretor, pelo menos em um primeiro momento. Seu primeiro longa com sotaque britânico foi o suspense (!?) Match Point, um primor. Pena que a esse se seguiram os fracos Scoop – O grande Furo, e O sonho de Cassandra. A solução? Arrumar as malas e rumar em direção à ensolarada Barcelona.

E não é que a estratégia funcionou? Embora o clima quente, as cores vivas e o temperamento passional do povo latino sejam elementos quase antagônicos ao restante da obra de Allen, o diretor captou-os de forma sublime, sem perder o estilo próprio.
Vicky Cristina Barcelona marca o retorno de Allen à comédia, e do jeito que ele faz melhor. Preparem-se para diálogos inspiradíssimos em um verdadeiro estudo sobre as (in)conseqüências do amor.

Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) são duas amigas americanas que resolvem passar as férias de verão em Barcelona, hospedadas na casa de uma amiga. Vicky quer concluir sua pesquisa de mestrado, que tem como objeto o trabalho do arquiteto espanhol Gaudí. Cristina quer conhecer a passionalidade da arte e cultura latinas, que em sua opinião são mais autênticas do que a racionalidade americana.

Em meio aos passeios culturais as duas se deparam com Juan Antônio (Javier Barden – Soberbo!!!), pintor local que parece encarnar o espírito do “carpe diem” em seu estilo de vida. Logo no prime
iro encontro, sem mais delongas, ele propões às amigas um passeio pelo interior regado a muita arte, romance e sexo a três. Vicky, conservadora, recusa imediatamente a proposta, pois é comprometida e está prestes a se casar. Cristina, impulsiva, fica tentada pela forma direta da abordagem e, encantada pela figura boêmia de Juan Antonio, tenta encorajar a amiga a embarcar na aventura. Relutante, Vicky concorda em ir, mas já avisa que não terá nenhum tipo de relacionamento sexual com o pintor, um tipo ao qual ela esclarece ter antipatia.


Nada melhor do que deixar as "pratas da casa" roubarem o filme!

Mas como é imprevisível o amor. Impedida de deitar-se com Juan Antonio devido a uma úlcera, Cristina não presencia a transformação da relação entre ele e Vicky. Estes são obrigados a continuar o roteiro de passeios sozinhos, e Vicky, envolta com sua pesquisa, passa a enxergar no pintor um pouco da cultura latina pela qual se apaixonou. Quando Cristina se recupera e passa a investir no relacionamento com Juan, observamos uma transformação no comportamento das duas.

Vicky passa a questionar o que dá sentido ao amor e se ela realmente ama seu noivo. Cristina se envolve em uma relação a três com Juan Antônio e Maria Elena (Penélope Cruz, que simplesmente rouba o filme!), ex-mulher do pintor, pela qual este não esconde ser profundamente apaixonado, embora ela seja meio maluca, já tendo, inclusive, tentado matá-lo. A primeira vista Cristina parece ter encontrado o romance pouco convencional pelo qual ansiava, mas, será que é isso que importa no amor?

Allen é extremamente sábio ao conduzir o roteiro por uma sucessão de acasos que não procuram responder às aflições das protagonistas. A vida não oferece respostas prontas, é preciso viver e amadurecer.
Vicky Cristina Barcelona pode não deixar claro o que importa em um relacionamento, mas fará o espectador rever suas expectativas em meio a uma avalanche de risos.


"Javier, ainda bem que o texto acabou, porque tá difícil resistir..."