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quarta-feira, outubro 29, 2008

Política

Discurso ensaiado


Será que com a chegada do formato HDTV consiguiremos ver as cordinhas?

Com o término das eleições municipais, foi dada a largada para o pleito presidencial de 2010. Tal afirmação é sustentada pela maioria dos veículos de nossa mídia nativa, que inclusive aponta os grandes vencedores no âmbito nacional. Entretanto, tudo isso não passa de mero “jogo de cena”, vã tentativa de ampliar dividendos eleitorais de pré-candidatos preferidos por cada instituição.

Ou será que a infinidade de analistas políticos que deram as caras nesse último domingo podem realmente prever o futuro? Só assim para garantir que a eleição de determinado prefeito fará diferença nas eleições presidenciais. Como garantir que, daqui a dois anos, será vantajoso subir no mesmo palanque
em que Kassab, Paes ou mesmo Lula estiver? Prestígio, como bem sabem alguns “assassinos de reputação” a serviço de grandes veículos, é algo que pode ser destruído em questão de segundos, e o contrário, a despeito de algumas evidentes tentativas da grande imprensa, não se mostra algo tão fácil.

Quem não se lembra da quase candidatura de Roseana Sarney à presidência em 2002? Até uns oito meses antes do pleito, as pesquisas a colocaram no segundo turno contra Lula, e com real chance de vitória. Nada que a denúncia certa, coberta da maneira exata não pudesse resolver...

Mas pior do que apontar os eventuais vencedores dessa eleição é atribuir diferentes pesos a determinadas vitórias. Como provar que José Serra sai fortalecido em relação ao rival Aécio Neves quando ambos elegeram seus candidatos? Para o jornalista Alexandre Garcia da Rede Globo, isso é mero detalhe. No Jornal Hoje da última segunda-feira, tal qual um títere adestrado com um texto previamente encomendado, ele afirmou categoricamente que sim, Serra sai mais forte, embora não tenha fornecido nenhuma prova categórica disso. É triste perceber que para boa parte da imprensa brasileira, fazer jornalismo político se resume a fazer campanha “eleitoreira” 365 dias por ano...

domingo, outubro 12, 2008

Televisão

Bom para dormir

Você não tem a sensação de que já viu isso antes em algum lugar?

Toda vez que me deparo com uma análise dos índices de audiência das principais redes de TV do país, fico impressionado com a hipocrisia e o preconceito que permeiam tais documentos. Para os executivos da TV, é melhor que a culpa sempre recaia no colo do telespectador. Afinal de contas, para eles o povo brasileiro não passa de uma massa de descerebrados incultos, seres incapazes de apreciar as “maravilhas” proporcionadas pelos gênios de nossa telinha.

Tudo bem, o “povão” realmente dá crédito a dezenas de porcarias – o funk carioca está aí para comprovar – mas achar que as pessoas deixam de assistir à novela das seis para curtirem o reprisado Pica-pau porque são burras é varrer a sujeira para debaixo do tapete. A televisão aberta brasileira é um lixo e a queda dos índices de audiência apenas prova que parte da população já constatou esse fato.

Quantos de vocês já não se pegaram, com o grato auxílio do controle remoto, dando voltas e mais voltas pelo dial à procura de algo minimamente decente para assistir? Pois é, eu faço isso o tempo todo, e a cada vez que completo uma volta, fico mais impressionado com a falta de evolução de nossa TV. Falta investimento, e não me refiro apenas ao financeiro, mas ao intelectual, principalmente. Novos talentos, gente com vontade de mostrar serviço, de quebrar paradigmas, que traga um pouco da linguagem do cinema, da web, ou de qualquer coisa que não se limite a repetir fórmulas saturadas há décadas.


Dá para fazer bons programas e conquistar grande audiência.

E não é difícil provar o quanto um pouco de sangue novo faz bem à programação. No meio de meia dúzia de anciões cativos, João Emanuel Carneiro é o único jovem autor que conseguiu emplacar uma novela das oito, A Favorita, que certamente é a melhor produção do horário em pelo menos dez anos. O Profissão Repórter é disparado o melhor jornalístico global, sendo provavelmente o único que não adota como máxima editorial criticar o governo. Por sua vez, o CQC exala todo o frescor e irreverência que faltavam ao humorismo nacional – e ao jornalismo também. Vê-los em ação é muito melhor do que assistir a um Casseta & Planeta, que, ao contrário do que muitos pensam, já havia batido as botas muito antes que o Bussunda.

E também não adianta botar a culpa na Internet ou no bode expiatório que seja. A TV americana, a despeito da crise, vive seu ápice, em parte com a ajuda da grande rede. Algo que só foi possível porque alguns executivos tiveram coragem para apostar em formatos inovadores. Lost, My name is Earl, Pushing Daisies e até a chatinha Heroes, em nada, ou muito pouco, se parecem com séries antigas. Ao contrário das novelas das seis, verdadeiras sessões de interminável deja vu de época. E se a Record almeja mesmo o primeiro lugar, está na hora de repensar a estratégia para tanto. Copiar a Globo pode até funcionar em curto e médio prazo, mas não parece algo muito inteligente quando é visível e documentada a queda da audiência da emissora do “plim-plim”. Resta torcer para que a TV digital represente alguma mudança. Quem sabe com a terceirização de parte da produção? Ou quem sabe com o crescimento de redes locais? Até lá, prefiro permanecer em frente à tela do computador...