sexta-feira, março 18, 2011
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
domingo, agosto 15, 2010
Cinema

Em A Origem
Nolan poderia ter optado por pintores, escritores, roteiristas ou mesmo cineastas. Seriam opções mais óbvias, pois costumamos atribuir a tais artistas uma aura criativa mais afeita ao ambiente do imaginário. Porém, a opção por arquitetos revela muito sobre o modo peculiar com que ele conduz suas histórias. Basta uma olhada rápida pelas críticas de seus filmes para topar com termos como “trama engendrada” ou “construção engenhosa”, típicos de uma análise arquitetônica.
Obcecado pela forma, Nolan ficou famoso pela naturalidade com a qual conduz reviravoltas em tramas complexas, sem nunca perder a coerência.
Leonardo DiCaprio é Cobb, líder do grupo e talvez a maior autoridade no campo do sonhar. Acostumado a roubar segredos corporativos, ele é desafiado a ‘plantar’ uma ideia na mente do empresário Robert Fischer (vivido por um insosso Cilian Murphy), principal concorrente do ganancioso Saito (Ken Watanabe). Cobb alerta seu contratante sobre a quase impossibilidade de êxito na tarefa, mas é coagido quando Saito lhe promete a anistia por um crime cometido no passado.

Nolan faz excelente uso de efeitos especiais durante o longa.
O problema é que Cobb não tem mais o controle dos sonhos que cria, uma vez que não consegue afastar-se da imagem de sua falecida esposa (a exuberante Marion Cotillard). Assim, é necessário convocar uma equipe de apoio e selecionar uma arquiteta substituta, Ariadne (Ellen Page), pela qual somos apresentados às regras que regem o universo dos sonhos.
A partir daí a estrutura segue o modelo habitual dos filmes de Nolan, construções precisas nas quais nem tudo é o que parece. Embora resida aí o ponto forte do estilo do diretor, essas mudanças abruptas no ruma da narrativa são também seu ‘calcanhar de Aquiles’, uma vez que sua plateia cativa já chega ao cinema predisposta a procurar pelos detalhes que provocarão reviravoltas na trama.
Não que isso faça de A Origem um filme ruim. Pelo contrário. Nolan ainda é suficientemente ‘engenhoso’ para surpreender até mesmo os mais incautos fãs. Além disso, o mérito de seus filmes sempre esteve mais na construção das tramas em si do que nas surpresas que elas reservam ao expectador. Nolan é de fato um arquiteto, daqueles especializados em construir labirintos, estando de tal forma consciente disso que foi capaz de criar uma história que não é nada mais do que uma metáfora para seu próprio processo criativo.
segunda-feira, agosto 09, 2010
Psicologia

Responda rápido: você exercitou muito a criatividade com Lego?
O colega Rafael Tirolo lançou um projeto interessante. Uma corrente que se propõe a discutir o conceito de criatividade, de onde surgem as ideias originais e se elas são de fato originais, ou meras reproduções do que sempre deu as caras por aí, mas não fora notado com a devida atenção. O projeto conta com quinze pessoas e funciona da seguinte forma: há um texto inicial que incita o debate e, a partir daí, a corrente segue em frente com cada autor dabdo sua contribuição após ser todos os textos anteriores, até que o ciclo se feche e uma nova rodada tenha início. Vale tudo, desde comentar o que acabou de ler até propor uma discussão totalmente nova.
O processo está bastante interessante, já tendo originado excelente metáfora sobre o processo criativo e brincadeiras com Lego. Reproduzo abaixo minha contribuição:
Nunca fiz um teste de QI, embora, quando fosse bem garotinho, todos me aconselhassem fazê-lo. Diziam que eu era inteligente demais, “menino-prodígio”, e tinham certeza de que meu resultado iria equivaler-se apenas aos coeficientes de gênios notáveis, os quais eu já deveria adotar como parâmetro pessoal.
Tamanha expectativa deixa qualquer criança do alto de seus oito anos com medo. E se meu teste revelasse que eu era apenas um garoto comum no meio de tantos? Ou pior: e se eu estivesse abaixo da média? Isso implicaria um futuro medíocre pela frente?
Nunca cheguei a recusar fazer o teste, mas sempre pensei em como seria o inevitável momento em que tivesse um pela frente. Seria a hora da verdade, pois, contra os números, nada poderia fazer. Por anos tentei prever perguntas e exercícios que nunca foram feitos.
Pouco tempo atrás, li na revista Superinteressante que o coeficiente não é um dado invariável na vida de uma pessoa, sofrendo alterações de acordo com o grau de atividade cerebral ao qual a pessoa está habituada em dado momento. Ou seja: nada mais do que um “retrato” momentâneo da capacidade mental de alguém.
Acredito piamente que a criatividade funcione de maneira parecida. Mais do que uma dádiva, um estado de espírito. Para ser criativo, primeiramente é necessário estar disposto a tanto. Referencial é absolutamente necessário, mas a própria busca deste exige atitude pró-ativa. Acredito que o fato ou objeto absolutamente novo, livre de qualquer referencial pretérito, não seja algo inteligível. Pelo contrário. Moldamos nosso conhecimento por associações, verificando graus de repetição. O próprio método científico não é nada mais do que a verificação de padrões que possam comprovar uma tese, esta nascida da observação daqueles.
Assim, o processo criativo nada mais é do que a habilidade de associar conhecimento pré-existente de modo novo. Inconsciente ou não, é algo que demanda esforço, podendo ser exercitado ao longo do tempo. Assim, dedicação é a palavra chave.
É claro que haverá gradações no nível de criatividade entre as pessoas. Alguns se limitarão a criar utilizando-se de referenciais e de regras pré-estabelecidas, produzindo conteúdo formulado de acordo com parâmetros facilmente reconhecíveis, podendo, desta forma, ser criticados por agir como meros copiadores. Outros estabelecerão suas próprias regras de como combinar o conhecimento adquirido ao longo do aprendizado. Esses serão vistos como revolucionários, e a tendência é que seus métodos passem a ser copiados por outras pessoas, em um incessante ciclo de inovação-padronização.
Ser um “criador” ou “copiador” dependerá do grau de esforço pessoal durante o processo criativo.
quarta-feira, julho 14, 2010
Retorno

14 de julho, cá estamos... Foram seis meses... Muito tempo, não há como negar. Ainda mais para um blog, ferramenta na qual se presume atualização constante, pois, do contrário, a concorrência se encarrega de engoli-lo...
Os números desse período de ostracismo comprovam a tese. Entregue ao abandono, o Script! não viu sequer um comentário em seus dias de limbo. Não que eu me queixe disso, caro leitor. Afinal, quem aqui conhece blog que viva do passado? Não há como. Não nestes tempos de Internet 2.0, 3.0, 4.0...
Desta forma, pergunto-me sobre qual assunto devo escrever para atrair a audiência de volta após esse hiato?
Copa do Mundo, talvez? É bem verdade que esse tema já pode ser narrado no pretérito perfeito, algo conflituoso para uma postagem que deveria primar pela novidade. Porém, vale a pena tentar preencher ao menos um parágrafo com o assunto, afinal, brasileiros gostam de futebol, ou não?
Se pudesse defini-la, diria que foi a Copa do lugar comum, muito embora tenha tido um campeão inédito. As conversas nas esquinas, as reportagens globais, os comerciais ufanistas e os bolões só fizeram confirmar que a cultura futebolística é o território-mor de clichês e chavões. Ora, por maior que seja esta “caixinha de surpresas”, em geral, ganha o melhor time, e Dunga, na minha opinião, não escalou a melhor seleção possível. Simples assim, embora “especialistas” teorizassem as mais variadas hipóteses para o fracasso do escrete canarinho. A Espanha fez diferente: recrutou seus melhores, baniu os caneleiros e se preocupou em jogar bola. Até o polvo sacou. Resultado, taça na bagagem, beijo na namorada repórter e muitos sorrisos ibéricos. Ao Brasil, resta contentar-se com as visitas de Larissa Riquelme, outro troféu do mundial, que deve passar bons dias aqui para ajudar no pé de meia que ela certamente pretende fazer com a fama repentina...
Ainda sobre futebol, quem não comentou algo sobre a prisão do goleiro Bruno? Incrível perceber que boa parte da população se chocou mais com a atuação “pouco habilidosa” dos suspeitos do que com a brutalidade do ato cometido. Se alguém não concorda, que passe então a reparar em como diversas conversas sobre o assunto giram preponderantemente sobre as mancadas cometidas pela trupe, as pistas esquecidas e coisas do tipo. Investigações policiais causam fascínio desde sempre, Scherlock Holmes está aí para comprovar. Contudo, tal fenômeno não deixa de ser algo sintomático em uma sociedade que atualmente, quando não é orientada pela mídia a discutir futebol, recebe, via TV, rádio e jornal, gigantesca carga de informações fresquinhas sobre toda sorte de delitos e atrocidades a ser destrinchados e debatidos efusiasticamente. Tão tenebroso quanto ver como cresce a cobertura jornalística (!?) para casos como esse é perceber que boa parte da sociedade não parece preocupada em debater soluções a longo prazo, a eles bastando que a máxima do “olho por olho e dente por dente” seja colocada em prática pelo Estado.
Pois bem, talvez esse retorno seja um tanto quanto mal humorado, ou até mesmo melancólico, tal qual fora a despedida. Entretanto, o que importa é estar novamente ocupando este espaço. Acredito piamente que minha melhor postagem não tenha sido a primeira – cabe a cada um de vocês concordar ou discordar. Assim, é provável que as próximas sejam melhores, e assim por diante, quem sabe.
sábado, janeiro 16, 2010
Reflexão
Obrigado a todos os visitantes.
domingo, janeiro 03, 2010
Games
Aos fãs de cinema: a trama de Uncharted 2 não deve nada à Hollywood
Aproveito a alvorada de 2010 para renovar (uma vez mais) a esperança de tornar este espaço mais movimentado do que fora durante os últimos dias. Como desculpa, digo que as derradeiras semanas do ano que passou foram marcadas pela correria de uma vida profissional cada vez mais atribulada e pelo sem número promessas de um ano novo ainda mais ativo.
Ativo como a indústria dos games esteve em 2009! Dizer que a jogatina eletrônica já superou Hollywood economicamente é chover no molhado. O astronômico sucesso de Call of Duty: Modern Warfare 2 figurou nas manchetes dos jornalões da grande imprensa, aqueles mesmos, que adoram eleger um ou outro game como responsável pela desestruturação da família moderna e do crescimento da violência entre os jovens. Aliás, nem mesmo as cifras pompudas salvaram Modern Warfare 2 da polêmica.
O interessante, entretanto, é que, ao contrário do que comumente fazem outros veículos de entretenimento, a indústria dos games – Modern Warfare 2 incluído – procura encarar tais polêmicas de frente, quebrando um a um tabus em temas centrais da vida humana, como sexo, violência e o convívio em sociedade. É claro que o simples avanço de sinal nessas questões morais não significa qualidade ou substância. Basta pensar em como o mercado fonográfico atual se vale do apelo sexual para vender artistas. Não é essa a questão.
A coragem dos games atuais só é possuidora de mérito porque está ancorada em excelentes roteiros e em quebra de paradigmas. E no ano no qual de fato sentimos os efeitos da greve dos roteiristas de Hollywood ocorrida em
Batman: Arkham Asylum
Batman alcançou sucesso de público e crítica nos quadrinhos, animações e nas telonas. Nos games, porém, amargurou um sem número de jogos pouco inspirados e sem nenhuma graça. Arkham Asylum, desenvolvido pela Rocksteady, chegou para mudar este quadro. Aqui o jogador se sente na pele do homem-morcego, precisando enfrentar uma rebelião no sanatório que abriga os criminosos mais perigosos de Gothan. A abordagem sombria pega carona nos filmes de Christopher Nolan, porém, sem perder o estilo próprio. Para completar, a aventura foi dublada pela equipe consagrada em Batman: The animated series de Bruce Timm. Destaque para o eterno Luke Skywalker, Mark Hamil, uma vez mais impregnando o Coringa com alta dose de loucura e charme.
Uncharted 2: Among Thieves
Que George Lucas me perdõe, mas Uncharted 2: Among Thieves é tudo o que os filmes de Indiana Jones sonharam ser um dia. A aventura de Nathan Drake e seus comparsas tem ação, humor, exploração e personagens pra lá de carismáticos, um enredo com pelo menos 12 horas de muitas reviravoltas, e o melhor de tudo: você está no papel de protagonista. Uncharted 2 merece todos os prêmios de melhor jogo do ano. Funcionaria perfeitamente no cinema? Sim. Mas que criem uma nova história, pois não há razão para que um produto com fotografia, enredo e mise en scène tão descaradamente cinematográficos seja repetido na tela grande. Principalmente em uma era dominada por gigantescas TV’s de Plasma, Led e LCD.
O elenco de Uncharted 2 posa com seu figurino de motivo "natalino".
Na próxima postagem, espero dar início a já tradicional relação anual de melhores do cinema. Até lá!
quarta-feira, outubro 14, 2009
Cinema

À época do lançamento de Kill Bill vol.1, residia em Uberaba-MG. A cidade demorou cerca de um mês para receber o filme de Tarantino, período que serviu para que eu lesse tudo o que podia a respeito do longa e do diretor. Entrevistas, perfis, críticas – oriundas de um sem número de sites, jornais e revistas – compuseram uma almágama de informação que me ajudou a formar a minha visão sobre o cineasta e sua obra. Colaboraram, também, para que eu me tornasse admirador do trabalho da figura.O assunto Bastardos inglórios, eterna “obra em andamento” de Tarantino, vez ou outra ganhava a pauta. O alardeado roteiro vinha sendo trabalhado há mais de cinco anos, o que levou a imprensa a adotar um tom de desconfiança, tanto em relação à obra quanto a Tarantino. Este, por sua vez, tratava Bastardos como sua obra-prima, o que colaborava bastante com a idéia de que a fita ainda iria demorar, afinal, a percepção geral é a de que um artista quer sempre se superar, principalmente os relativamente jovens, como Quentin.
Desta forma, é impossível deixar de se surpreender com a velocidade com que Bastardos inglórios ganhou contornos concretos. No final de 2008, Tarantino terminou o ambicioso roteiro. Deixou claro que aquele seria seu próximo projeto. O elenco foi definido em novembro, e as filmagens vieram logo a seguir. A velocidade justificava-se pelo cronograma apertadíssimo: o filme deveria estar pronto a tempo de estrear no Festival de Cannes, em maio de 2009.
Uma decisão dessas, feita por qualquer cineasta, seria vista como sintoma de loucura e megalomania. Vinda de Tarantino, só fez crescer a fama de auto-indulgente que ele carrega. Ao carma do demorado parto de Bastardos, somava-se agora a sensação de que o filme não receberia o refinamento necessário. Veríamos um cópia inacabada? Bastardos inglórios assumiria status tão distante da propalada obra-prima de outrora?
Ledo engano. Metódico tal qual os mais avaros engravatados dos grandes estúdios – embora, ainda hoje, seu nome seja sinônimo de cinema independente –, Tarantino planejou seu roteiro de forma que o trabalho de pós-produção se desse de maneira relativamente fácil. Excluindo-se uma ou outra seqüência redundante – como a de Hitler revelando algo sobre o que todos já tinham tomado conhecimento na cena anterior –, Bastardos inglórios firma-se, inclusive, como a produção mais bem acabada do diretor – o que, porém, não significa que ela seja a melhor.
Embora se passe em plena segunda-guerra mundial, Bastardos foge do padrão usual do gênero. A produção é caprichada, mas não investe em grandes batalhas ou cenas de ação. Tarantino preserva seu viés intimista, construindo a maioria das seqüências em torno de ótimos diálogos ao pé das mesas.
Como não poderia deixar de ser em um longa assinado pelo cineasta, a narrativa de Bastardos inglórios caminha entrecortada por tramas paralelas. A primeira conta a historia de Shoshanna Dreyfus (Mélaine Laurent, linda), garota judia que teve a família dizimada em um massacre promovido pelo coronel Hans Landa (Christoph Waltz, simplesmente o melhor do filme – e do ano!). Após quatro anos, ela se depara com a oportunidade de se vingar, de maneira pouco usual, diga-se: incendiando o cinema que herdou dos tios, que servirá de palco para a estréia de uma superprodução alemã, com direito a presença das mais altas patentes do Terceiro Reich.
Porém, não é apenas Shoshanna que pretende banhar a noite de gala com sangue. O serviço secreto inglês corre por fora com idêntico objetivo, ajudados por um grupo de judeus americanos que tem por hobby matar e mutilar soldados alemães – os bastados do título. Liderados pelo tenente Aldo Raine (Brad Pitt, em atuação deliciosamente canastrona), eles se encarregam de garantir aqui outra peculiaridade do cinema tarantinesco: violência exacerbada. Com o auxílio da bela atriz e agente dupla Bridget von Hammersmark (Diane Kruger, exalando classe), eles pretendem invadir a sessão e mandar tudo pelos ares.
Carregado de metalinguagem do início ao fim, Bastardos inglórios é um atestado do amor de Tarantino pela sétima arte. Ex-balconista de locadoras, o cineasta continua indicando filmes e gêneros, porém, encontrou uma linguagem deveras mais satisfatória para o trabalho. Aliás, o diretor só não se leva mais a sério do que o próprio cinema, que, para ele, é uma forma de expressão poderosa ao ponto de poder mudar o curso da história.
Coincidência: a centésima postagem deste blog é uma crítica sobre um filme de “Tarantino”. Não poderia ser melhor, afinal, tudo começou quando resolvi colocar no papel minhas impressões sobre Kill Bill vol.1.
segunda-feira, outubro 05, 2009
Brasília como ela é

Mais alguém se lembrou de Tropas Estelares?
Sei que algumas pessoas até gostam do animalzinho. Por isso, dedico a elas este post. Com a ajuda da Internet, descobri coisas interessantes sobre a repulsiva criatura:
1 – A cigarra é o inseto de vida mais longa que se conhece, o que meio que comprova o chavão “o que é bom, dura pouco”;
2 – Durante sua fase de ninfa, ela se esconde em baixo da terra para se alimentar de raízes – fico feliz por isso, afinal, se ela própria fica tímida durante este estágio, imaginem só como deve aparentar nestes anos;
3 – A cigarra pertence à família dos cicacídeos, que, por sua vez, fazem parte da classe dos homópteros, filão que reúne a cochonilha, o pulgão, a jequitiranabóia e outros mais – todos “graciosos”;
4 – A cigarra tem consciência de que seu canto estridente é pra lá de incômodo. Elas possuem um mecanismo de proteção contra o volume intenso que produzem: um par de grandes membranas que funcionam como orelhas. Elas são os tímpanos, conectados ao órgão auditivo por um pequeno tendão que reage quando o macho canta, dobrando-os para que o som alto não lhes provoque danos. Verdadeiras pentelhas!;
5 – Seu habitat natural são as regiões tropicais e equatoriais. É verdade que a espécie é encontrada em tais ambientes, porém, se existe um lugar que estes animais podem chamar de lar, este local é Brasília. Somente quem mora na cidade é capaz de entender o barulho infernal que o zumbido de milhões de cigarras produz, ao ponto de um imigrante desavisado – como eu fora –, incrédulo, acredite que o barulho provenha de algum sofisticado sistema de segurança;
6 – Esta última eu não precisei de site para constatar: as cigarras soltam uma secreção nojenta quando estão na copa das árvores. É claro que só percebi isso devido à quantidade obscena desses insetos perambulando pelo Plano-piloto...
Bom, desculpem o desagradável assunto deste desabafo, mas é que andar pelas ruas de Brasília torna-se experiência extremamente desestimulante durante o verão...
quinta-feira, setembro 10, 2009
Cinema

Tarantino virá ao Brasil para divulgar seu Bastardos Inglórios
Entretanto, não pensem que a diversão nos games aplacou minha vontade de escrever. Não! Embora o tempo dedicado ao Microsoft Word tenha diminuído – é incrível, mas até saudade da interface do programa eu senti –, estou certo de que tenho muito o que dizer e sobre o que comentar. Tanto que as últimas postagens foram dedicados a temas variados, fugindo um pouco do foco usual deste espaço: o cinema. Colaborou, e muito, para tanto, a escassez dos lançamentos recentes. Simplesmente não haviam filmes pelos quais me interessava escrever. Culpa das distribuidoras, que prepararam um calendário terrível, deixando o inverno abarrotado de blockbusters sem conteúdo e filmes de viés artístico duvidoso, que afundaram em sua própria presunção.
Pois bem, a boa notícia é que isso vai mudar. O último terço do ano está permeado de lançamentos que devem ganhar o ar da graça nessas mal traçadas linhas. Com vocês, o melhor de 2009 que está por vir:
Bastardos inglóriosTarantino é um ídolo, o que dificulta uma análise parcial. Diretor mais importante da década de 90, construiu uma carreira sedimentada no amor pela sétima arte. Bastardos inglórios, refilmagem de um obscuro filme italiano, trata-se de muito mais do que um novo filme de guerra. É a mais nova ode de um artista apaixonado pela veículo em que atua. Brad Pitt e grande elenco formam um cruel grupo de assalto que pretende matar Hitler em pessoa, aproveitando-se, vejam só, da van premiére de um longa alemão. Metalinguagem maior, impossível.
Garota InfernalMegan Fox: o filme! Este poderia muito bem ser o título do primeiro longa no qual a garota mais comentada do momento é definitivamente a atração principal. A boa notícia é que não se trata de uma tentativa qualquer para promover o rostinho bonito da semana: o roteiro é assinado pela oscarizada Diablo Cody, responsável pelas tiradas geniais vistas em Juno. Aqui, Fox encarna uma garota possuída por um demônio, ávida por devorar (literalmente) os garotos que a cobiçam.
BesouroCom a retomada do cinema nacional consolidada, bastava aos brasileiros contar os dias para que surgisse um projeto que levasse a plasticidade da capoeira para as telonas. Besouro é uma espécie de “versão tupiniquim” para O tigre e o dragão. A boa notícia é que o trailer empolga, apesar da narração em off “clichezíssima”. Resta torcer para que o diretor João Daniel Tikhomiroff não perca a mão, transformando a boa premissa em um festival de efeitos especiais bregas.
Distrito 9A produção é assinada por Peter Jackson, o que já diz muito. Distrito 9 vem colecionando elogios da crítica especializada, tendo, inclusive, sido chamado de “filme do ano” em diversas oportunidades. A história gira em torno de um distrito reservado à alienígenas para que eles vivam na Terra até que possam reparar sua nave espacial defeituosa e seguir viagem. A ação deve dividir espaço com a críticas à xenofobia e à predileção do homem a embarcar em guerras.
Abraços partidosAlmodóvar é certeza de bons diálogos, cores fortes e mulheres vibrantes. Ou seriam mulheres fortes, diálogos vibrantes e boas cores? Não importa, pois embora continue imerso no estilo que o consagrou, Almodóvar consegue o feito de não se repetir, mesmo quando repete a vitoriosa parceria com Penélope Cruz. A atriz encarna Lena, uma mulher pela qual dois homens estão loucamente apaixonados: seu marido magnata e um diretor de cinema paralisado por uma cegueira acidental.
The BoxRichard Kelly, diretor de Donnie Darko, volta para novamente brincar com as emoções do público. Cameron Diaz e James Mardsen vivem um casal que se depara com uma proposta inusitada: de posse de uma caixa que contém apenas um botão, são informados de que ganharão 1 milhão de dólares caso resolvam apertá-lo. Mas não sem um preço, já que o ato resultará na morte de uma pessoa desconhecida. O que você faria?
A princesa e o sapoO retorno da Disney às animações tradicionais é também um regresso às histórias de princesas que marcaram a trajetória do estúdio. O flerte com os novos tempos fica por conta da protagonista, Tiana, primeira princesa negra em um filme Disney, decisão tomada muito antes da eleição de Obama. Que não parem aí!
Revolução. Mais do que isso é difícil falar sobre Avatar. O primeiro projeto de James Cameron desde o longínquo Titanic foi concebido para transmutar nossa relação com o cinema 3D. Longe deste ambiente, Avatar parece apenas mais uma grande produção Hollywoodiana, como ficou claro no trailer que ganhou a Internet. Sam Worthington dá vida a um ex-combatente que tem a missão de se infiltrar entre os nativos do planeta Pandora, que nós, humanos, queremos colonizar. A grande certeza é que os ingressos deverão ser adquiridos com grande antecedência, tendo em vista as filas quilométricas que se formam nas sessões de filmes com tecnologia 3D.
É claro que outros grandes lançamentos acabaram passando despercebidos. Por isso, deixo os comentários abertos para sugestões de outros filmes que devem ser conferidos ainda em 2009.
PS: A lista deveria ser encabeçada por Up! – Altas aventuras, mas não consegui vê-lo em função da mais assustadora fila que já vi em Brasília. O 3D é uma mina de ouro!
segunda-feira, agosto 24, 2009
Cinema
Sempre quando alguém diz não gostar de um gênero cinematográfico, esclareço não fazer predileções neste sentido. Na minha opinião, ou um filme é bom ou é ruim, simples assim. Não é o gênero que determina a qualidade da obra. Desta forma, nunca tive um predileto. Apesar disso, devo admitir que considero o terror um estilo problemático.Embora o medo seja uma das emoções mais primitivas, transmiti-lo em película não é das tarefas mais fáceis. Em geral, tememos o desconhecido, o que, desta forma, favorece filmes em que o “monstro” permanece oculto, como em A bruxa de Blair. O simples fato de não conhecermos aquilo que apavora os personagens nos faz esperar pelo pior, uma expectativa subjetiva que dificilmente é atendida. Outro problema dos filmes de terror é que, em muitos casos, a preocupação em criar momentos de tensão e sustos fáceis acabam prejudicando o desenvolvimento do roteiro (assim como explosões e romancezinhos bobos fazem em outros gêneros).
Cientes das dificuldades inerentes ao estilo, muitos cineastas passaram a produzir filmes de terror com um pé fincado na comédia, debochando das próprias convenções . É o “terrir”, fusão da qual Sam Raimi é um dos grandes mestres. Depois de realizar o sonho de adolescente nerd, brincando na trilogia Homem-aranha, Raimi voltou ao território que o revelou com Arrasta-me para o inferno. As comparações com a trilogia Evil Dead são inevitáveis, embora desta vez Raimi, financiado por um grande estúdio, não teve a mesma liberdade para as experimentações vistas nas aventuras de Ash.
Mas isso não impede que o diretor promova um verdadeiro festival nonsense, com direito a litros de líquidos nojentos e pegajosos, de preferência escorrendo até a boca da protagonista Christine (Allison Lohman, talento nato para o grito), analista de crédito que, em busca de uma promoção, acaba negando um novo financiamento para que Sylvia Ganush (Lorna Raver, repulsiva!) possa pagar sua casa. O problema é que Ganush é uma velha cigana versada em magia negra, que não exita em lançar uma maldição sobre a garota.
Daí pra frente, Christine descobre que tem três dias para resolver a questão, do contrário, o demônio Lâmia virá buscá-la para uma viagem sem volta rumo ao inferno. Nesse ínterim, a situação da moça só piora, com alucinações cada vez mais perturbadoras. O visual proposto por Raimi é um show a parte: escatologia ligada no modo turbo, com espaço até mesmo para bigornas explodindo cabeças alheias.
No final da sessão, o resultado é extremamente satisfatório, até porque o cineasta preparou um final que, embora previsível, é impactante ao ponto de nos lembrarmos que estamos diante de um filme de terror. Não é uma obra-prima, tampouco foi essa a intenção de Raimi. Arrasta-me para o inferno é diversão pura, longa daqueles que é ótimo ver com amigos e namorados(as). Resta torcer para que o cineasta tenha se divertido tanto quanto eu, tendo recarregado as baterias para a nova aventura do aracnídeo.
segunda-feira, agosto 10, 2009
Cinema
Duas semanas atrás, tive minha primeira – tardia! – experiência com o cinema 3D. Fui ver A era do gelo 3, o qual, confesso, não pretendia assistir na tela grande. Embora tenha gostado do primeiro, até hoje não conferi o segundo longa e não considero a série tão brilhante quanto as da Pixar. Apesar disso, não dá pra negar que A era do gelo cumpre o que propõe: diversão garantida – principalmente para a criançada. O caso é que, naquele sábado, quando meu primo ligou para me convidar, estava em casa, sem melhores opções. A novidade é que desta vez ele conseguira convencer meus tios a nos acompanharem. Desta feita, coube-me a tarefa de convidar minha mãe a ir conosco.O que eu não poderia imaginar era a quantidade de famílias que teriam idêntico programa para sábado – estou impressionado com os números das bilheterias no Brasil: A era do gelo 3 já é a segunda maior da história de nosso país! – mas não era difícil entender o porquê. Além do óbvio carisma dos personagens, que já possuem enorme apelo entre a criançada daqui, o fator 3D pesava na escolha. Um diferencial que ainda não pode ser reproduzido dentro de casa e que, por isso, representa a grande chance de Hollywood para trazer as famílias de volta aos cinemas, tornando-se menos dependente de seu público atual e quase único, adolescentes que, ano após ano, ficam mais fascinados com seus Playstations e Iphones do que com as velhas salas de projeção.
Logo que a sessão começou, fiquei boquiaberto com a experiência 3D. A técnica estava muito boa em A era do gelo 3, mas o trailer de Força G exibido no formato foi muito mais surpreendente. Não sei se por contar com cenas live action, este último passava uma sensação de profundidade incrível, até incômoda em certos momentos (que o diga minha mãe, apavorada por uma barata que saltava da tela!). O único entrave é que, em função do tamanho reduzido da tela, a experiência não é tão imersiva quanto poderia. Tenho certeza de que seria muito mais incrível em uma enorme tela IMAX.
Também tive minha cota de sustos, tentando desviar-me do que saia da tela em minha direção, reação das mais comuns entre os presentes. Aliás, a experiência de “assistir” o público assimilando a nova técnica já valia o ingresso. Atrás dos ainda grandes óculos especiais, rostos sorridentes. Crianças falastronas esticavam as mãos no afã de alcançar os personagens favoritos, o que, ainda, não é possível. Porém, é fácil acreditar que a imersão sensorial total é questão de tempo. A técnica cinematográfica passa por mudanças, e o que veremos no futuro pode ser muito diferente daquilo que estamos habituados. Tomara que o Brasil se prepare logo para esta nova era, não apenas com novas salas e equipamentos de projeção, mas, principalmente, com realizadores que arrisquem navegar por esses novos caminhos.
quinta-feira, julho 23, 2009
Jornalismo

Sim: no meio dessa bagunça toda, pode sair coisa muito boa!
Para quem ainda não compreendeu aonde quero chegar, explico que falo sobre a pendenga envolvendo a obrigatoriedade de diploma para jornalistas. A verdade é que, mesmo nos meus primeiros dias de curso, já julgava que o diploma não era essencial ao exercício da profissão. Entretanto, posso dizer que meus anos de estudo, envoltos em matérias práticas e disciplinas teóricas, foram de grande ajuda para meu entendimento da atividade – e também para meu crescimento pessoal. Antes do curso, acreditava que existiam sim distorções nas notícias, provocadas por angulações pessoais ou do veículo. Mas era ingênuo. Não compreendia como funcionavam as engrenagens do sistema. Também não sabia que a mídia atua na construção de nossa percepção da realidade, que não somos manipulados, e sim pautados pelos veículos de comunicação e, principalmente, que a ficção tem a capacidade de pintar quadros mais fidedignos da realidade do que a própria realidade.
Poderia aprender tudo isso na prática, lado a lado com os grandes profissionais da área, como defendem aqueles que desmerecem o valor do diploma? Sim, é claro. Assim como um engenheiro poderia aprender a projetar edificações dispondo de um bom tutor, ou um médico poderia ser formado em plena sala de cirurgia, dia e noite observando e aprendendo com os melhores. Um profissional só se forma na prática, em qualquer área do conhecimento. A única questão é onde se dará o processo – sim, existe muita prática jornalística fora das redações, o que a maioria dos “defensores da liberdade” não consegue admitir.
Experiência é importante em qualquer ramo. Um bom advogado experiente certamente entende melhor do ofício do que um recém-formado. Mas de que isso adianta se não há força de vontade em se superar a cada dia? Se assim não for, um currículo recheado nada mais será do que um “farol apontando para trás”. Alguns argumentarão que, quando erram, engenheiros, médicos e advogados causam prejuízos irreparáveis. A estes, peço que perguntem aos diretores da Escola Base de São Paulo o quão fácil é reparar as perdas provocadas por um erro cometido pela imprensa.
Portanto, acredito que um bom jornalista pode se formar na academia ou na redação. O que importa é que tenha grande bagagem cultural e que construa uma conduta ética sólida, contando com a ajuda de bons “professores” que o auxiliem na empreitada.
Dessa forma, o que me deixa curioso é entender qual o real objetivo de toda essa discussão. Seria por vontade dos profissionais mais experientes em permanecer com cadeira cativa em seus respectivos empregos? Ora, antes de tudo isso, dezenas de pessoas atuavam tranquilamente na mídia sem precisar serem rotulados jornalistas.
Certamente, o que motivou a decisão não tem nada a ver com a liberdade de expressão, argumento dos mais falaciosos que já vi sustentar uma tese. Alguém acredita, sinceramente, que veículos como Veja e Folha se tornarão mais plurais caso contratem profissionais sem graduação em jornalismo? É claro que não. Continuarão como estão, agredindo princípios do bom jornalismo, distorcendo notícias, padronizando textos, partidarizando suas coberturas e não dando oportunidade de resposta quando cometem erros. Tal conduta nada tem a ver com formação acadêmica.
Melhor seria se banissem os famigerados manuais de redação, instrumentos de poda que servem para moldar os profissionais ao bel-prazer do veículo. Eliminassem também os patrões, transformando os jornais e TVs em organizações sem fins lucrativos. A quem interessaria distorcer uma notícia se não se pode ganhar com isso?
Na minha opinião, a decisão do STF visa tão somente a enfraquecer os sindicatos de jornalistas. Fica mais difícil argumentar um aumento salarial em tempos nos quais qualquer um pode exercer a sua profissão. Por essas e outras, passo cada vez mais tempo na Internet. Aqui a liberdade de imprensa é real, apesar dos seguidos esforços em censurar a rede. O sucesso dos blogs reside muito no fato de que seus autores perceberam que há muito mais acontecimentos noticiáveis do que a mídia tradicional supõe. Falamos sobre tudo e da forma que bem entendemos. Sem precisar de diploma para tanto, mas podendo fazer bom uso dele nesse propósito.
segunda-feira, junho 29, 2009
Música

Difícil citar alguém com tanta segurança de si quanto Jackson no palco
É preciso esclarecer que fui um garoto tímido durante a adolescência, apesar dos constantes gracejos que fazia no afã de chamar alguma atenção. Comportamento este que, aliás, não passava de vã camuflagem para a timidez que frequentemente podava minhas vontades e gestos. Dessa forma, para mim, seria inimaginável que algum dia eu roubasse a cena de uma festa entre amigos emulando os passos de Jackson – e sem nenhum cacoete de dançarino, é bom que se diga.
O ano era 2003. Estava no terceiro período de meu curso de comunicação – em tempos de pendenga em relação a diplomas, melhor chamar assim o curso que fiz. Em um sábado, do qual não recordo a data, resolvemos fazer um descontraído encontro na casa de um amigo (o China, grande figura!). Havia bom papo e uma roda de violão, mas havia também um rapaz chamado Gustavo, a quem todos conheciam como Pinguim. Gustavo acabou tornando-se o meu amigo mais próximo nos tempos de faculdade e, se algo o poderia caracterizar na época, era sua personalidade extrovertida.
Durante a festinha em questão, Gustavo acabou encontrando um disco do Michael Jackson entre os CDs do China. Sem titubear, colocou-o no som e começou uma performance de Smooth Criminal, meio que exigindo que China e eu entrássemos na brincadeira. É claro que, no primeiro momento, meu cérebro enviava mensagens para que meu corpo se afastasse o máximo daquela sandice, que procurasse um refúgio daquele imenso mico. Mas verdade também é que aqueles arroubos tresloucados do Pinguim meio que me contagiavam! Era visível que a galera adorava o comportamento dele, então, por que não entrar na onda? Não era minha intenção copiá-lo, apenas soltar-me de amarras que há muito atravancavam minha vida. Perdi o medo e a vergonha (logo, tornei-me um sem-vergonha!!!) ao som dançante de Jackson, e adotei aquele momento como exemplo prático de conduta para outras situações do gênero.
Depois desse dia, tentei não mais reprimir minha “verdadeira natureza” em função de recalques bobos. É claro que nem sempre sou bem sucedido – sou humano e, verdade seja dita, a timidez também tem lá o seu charme. O curioso é que, recentemente, em conversa com o Pinguim, ele me revelou que algo parecido aconteceu com ele durante o colégio. Michael também serviu como gatilho para o comportamento extrovertido de meu amigo. Ao saber disso, foi impossível não divagar sobre quantos mais teriam recebido auxílio semelhante do “Rei do pop”. Uma pauta que nasce e que, sem dúvida, perdurará inacabada...
segunda-feira, junho 22, 2009
Cinema

O excepcional visual é o ponto forte do novo longa de Tom Tykewer
Sempre que via algum material de divulgação de Trama internacional, não conseguia tirar da cabeça que o filme era sério candidato a melhor do ano. Um thriller sobre corrupção no qual um banco – os malfeitores da vez! – finalmente estaria no papel de vilão. Na batuta do projeto, o estiloso diretor alemão Tom Tykewer (Corra lola corra). Como protagonista, Clive Owen, um de meus atores prediletos, duas vezes considerado o melhor ator na lista anual do blog (2005 e 2006) – e que até mesmo no propositalmente despropositado Mandando bala conseguiu construir um personagem carismático como poucos! Dividindo cartazes com Owen está Naomi Watts, outra queridinha deste blogueiro, já tendo também sido eleita a atriz do ano (2007).Apesar dos muitos ingredientes positivos na receita, Trama internacional não consegue “descer” muito bem. O longa peca pela falta de identidade, flertando com os mais variados estilos, sem encontrar uma fórmula coesa para tanto, o que resulta em uma mistura requentada que até diverte, mas que fica muito aquém das expectativas.
Durante todo a fita, é fácil perceber que a atual safra de filmes de espionagem “cabeça” serviram como inspiração para Tykewer. As perseguições nos telhados, os assassinatos mirabolantes, o tiroteio em pleno museu Guggenheim e a investigação sagaz parecem saídos dos filmes da Trilogia Bourne. Por sua vez, as intricadas relações de corrupção lembram, e muito, Conduta de risco, elogiado longa de estreia de Tony Gilroy. São comparações que, normalmente, enalteceriam qualquer trabalho. O problema é que sobram pontas soltas onde os dois focos deveriam convergir.
Os protagonistas são propositalmente mal desenvolvidos, visando tornar o tom da narrativa mais documental, retirando, em diversos momentos, a sensação de “onisciência” do espectador. Com tanta informação omitida, fica mesmo difícil prever os rumos da narrativa, tal qual acontece na vida real. Assim, personagens vêm e vão sem maiores explicações – fenômeno que acomete até mesmo a promotora vivida por Watts! – e não há grande preocupação em desenvolver uma curva dramática genuína. Mas a proposta de situar a história em um ambiente plausível parece ter sido providencialmente esquecida em certos momentos, como na investigação que leva ao assassino de um comerciante de armas italiano. Como seguir uma pista tão ridícula?
Se a intenção de Tykewer for a de que história ali contada fosse apenas um fragmento de algo muito maior, que não caberia em um filme, ele atingiu plenamente o resultado. Mas a verdade é que os fins não justificam os meios, e Trama internacional falha por, durante toda a projeção, vender um suspense sem clímax e uma investigação sem solução. Para isso já temos os telejornais...









